Mesmo no consultório digital, ainda há passivo antigo
A maioria das clínicas odontológicas em SP capital já migrou para raio-X digital com sensor (placa de fósforo ou CCD). É bonito, é rápido, é ambientalmente melhor. Mas três coisas seguem na realidade:
1. Consultórios antigos ainda têm processadora (e geram revelador/fixador semanalmente)
2. Mesmo o digital tem passivo herdado: câmara escura desativada com bombonas antigas, estoque de filmes vencidos, lâminas de chumbo de proteção dos suportes antigos
3. Suporte de filme com lâmina de chumbo é resíduo Grupo B (chumbo é metal pesado)
Esse texto traz o descarte correto da radiologia odontológica em 2026, incluindo a transição definitiva para digital que muitos consultórios postergam por anos sem o roteiro adequado.
Tabela de descarte — radiologia odontológica
| Resíduo | Grupo | Acondicionamento | Observação |
|---|---|---|---|
| Revelador usado | Grupo B | Bombona específica | Contém prata reduzida + alcalinos |
| Fixador usado | Grupo B | Bombona específica | Contém prata + tiosulfato |
| Filme radiográfico revelado, descartado | Grupo D após dessensibilização | Lixo comum | Imagem antiga não confidencial |
| Filme com prata recuperável | Empresa especializada em prata | Coleta especial | Mais relevante em hospital, raro em consultório |
| Película virgem fora da validade | Grupo D | Lixo comum | Sem revelação, sem risco |
| Lâmina de chumbo (suporte antigo) | Grupo B (metal pesado) | Coleta de Grupo B | NUNCA lixo comum |
| Suporte plástico/metálico do filme | Grupo D | Lixo comum (após retirada da lâmina) | — |
| Solução química misturada (revelador+fixador) | Grupo B | Bombona Grupo B | Maior risco — não misturar para descartar |
| Sensor digital (CCD ou placa) ao fim de vida | RAEE saúde | Empresa especializada | Não jogar no lixo comum |
O revelador e o fixador — atenção dobrada à prata
Tanto o revelador quanto o fixador acumulam prata ao longo do uso (a prata vem dos halogenetos do filme). Quanto mais filmes processados, mais prata na bombona:
- Bombona de fixador usado após 200 radiografias pode conter 15-50 g de prata recuperável — mercado cinza às vezes oferece comprar (cuidado, é prática que merece avaliação ambiental)
- Coleta padrão: bombona via coletora de RSS, com MTR de Grupo B, destinação por incineração com captação ou recuperação industrial
O custo da bombona (5-20 L de revelador + 5-20 L de fixador, separados) na coletora de RSS: R$ 80-180/coleta. Custo trimestral típico em consultório que ainda usa filme.
Lâminas de chumbo — o resíduo “esquecido”
Em suportes de filme oclusal antigos, avental de chumbo do paciente e revestimento da câmara escura, há lâminas de chumbo (Pb):
- Avental de chumbo: quando descartado (rasgado, ressecado), vai para coleta especial de Grupo B. Empresas especializadas em chumbo (vinculadas à logística reversa de baterias automotivas) frequentemente aceitam.
- Lâminas dos suportes: mesma rota.
- Revestimento de paredes (antigos sistemas radiológicos): demolição com licença ambiental.
Não joga no lixo comum.
A migração para digital — como destinar o passivo
Quando o consultório finalmente troca a processadora pelo sensor digital, há um inventário a destinar:
O que destinar — checklist
- [ ] Bombonas de revelador e fixador remanescentes (mesmo selados)
- [ ] Estoque de filmes virgens vencidos
- [ ] Estoque de filmes virgens dentro da validade (pode doar para outra clínica que ainda use)
- [ ] Avental de chumbo (se não for usar mais)
- [ ] Suportes de filme antigos com lâmina de chumbo
- [ ] Tanques de processamento (RAEE)
- [ ] Cabos, lâmpadas vermelhas da câmara escura (RAEE)
- [ ] Móveis da câmara escura (Grupo D, mas com checagem de contaminação se houve derrame químico no histórico)
Roteiro de migração
1. D-30: comunique a coletora de RSS sobre coleta especial para destinação de passivo radiológico
2. D-7: organize o material em pilhas separadas por grupo (B, D, RAEE)
3. D-zero: coleta extra (ou consolidada com a regular) que retira tudo, com MTR específico para descarte de passivo
4. D+15: confirme CDF com observação de “destinação de passivo radiológico”
Custo médio do “limpa-tudo” em consultório que migra: R$ 350-1.200, dependendo do volume acumulado.
Estimativa mensal — consultório com radiologia ativa (filme tradicional)
Para consultório que ainda revela filme localmente (raro em SP capital em 2026, mas existe):
| Grupo | Volume estimado | Recipiente típico mensal |
|---|---|---|
| Grupo B (revelador + fixador) | 1-3 L de cada | 1 bombona 5 L (troca trimestral) |
| Grupo D (filmes descartados) | 0,2 kg | Lixo comum (após dessensibilização) |
Para consultório digital sem processadora ativa, esses volumes caem a zero — o que muda é uma só vez (descarte do passivo na migração).
Conclusão — digital não exime, só simplifica
A radiologia odontológica em 2026 é majoritariamente digital em SP capital, mas o passivo radiológico antigo continua sendo descoberto em fiscalizações. Lâminas de chumbo em câmaras escuras desativadas que viraram depósito, bombonas seladas no fundo do armário, aventais de chumbo em depósito de fundo: tudo isso é Grupo B e exige destinação correta.
A boa notícia: a coletora de RSS faz uma coleta especial de migração (R$ 350-1.200) que resolve o passivo de uma vez. Vale a pena agendar junto com a aquisição do sensor digital.
A Seven Resíduos Saúde tem plano de migração radiológica em SP capital e ABC: coleta especial de revelador/fixador antigo + lâminas de chumbo + filmes vencidos + RAEE da processadora, com MTR e CDF, em uma única visita. Solicite a coleta de migração.