“É só um restinho no frasco, pode jogar no comum.” “Sobrou pouco reagente, não vale a pena separar.” Essa lógica da quantidade é um dos erros de segregação mais comuns — e mais autuados. No resíduo químico, o que define a classe é a natureza, não o volume.
Por que a quantidade não muda a classe
A RDC 222/2018 e a CONAMA classificam o Grupo B pela característica química do resíduo — toxicidade, inflamabilidade, corrosividade, periculosidade — não pela quantidade. Um frasco com vestígio de quimioterápico, uma sobra mínima de reagente, alguns mililitros de fixador: continuam sendo Grupo B. Pouco resíduo perigoso ainda é resíduo perigoso.
A fiscalização não pesa o erro: encontrou Grupo B no lixo comum ou na pia, é não conformidade — independentemente de ser “só um pouco”.
Por que o mito sai caro
O “restinho” gera três problemas:
- Risco ambiental real — princípio ativo de medicamento, metal, solvente: a estação de tratamento de esgoto não remove, e o efluente sai contaminado (conexão com a CONAMA 430)
- Não conformidade documental — o PGRSS declara segregar Grupo B; o “restinho no comum” contradiz o próprio plano na auditoria
- Efeito cultural — quando “pouco pode”, a equipe para de classificar; o erro deixa de ser exceção e vira rotina
O custo de separar o “restinho” é irrelevante perto do custo de uma autuação ambiental ou sanitária — ou de um passivo sob a Lei 9.605.
Onde o “restinho” mais aparece
Os pontos onde o mito mais gera erro:
- Frasco-ampola com vestígio de medicamento ou quimioterápico jogado no comum
- Sobra de reagente de laboratório descartada na pia “porque foi pouco”
- Resto de antisséptico/fixador despejado no ralo
- Bisnaga/tubo com sobra de pomada com princípio ativo no Grupo D
Em todos, a regra é a mesma: tem composição química regulada, é Grupo B — vai em recipiente próprio, com a Portaria 344 quando for controlado.
O que fazer com isso
A mensagem para a equipe é uma frase só: “é química? É Grupo B — pouco ou muito”. Não existe quantidade mínima que rebaixe a classe. Coletor de Grupo B acessível no ponto de geração resolve a maior parte dos casos, porque o erro quase sempre vem da falta de onde descartar certo na hora.
A Seven Resíduos ajuda hospitais a revisar a segregação de Grupo B e dimensionar a coleta química. Veja também como descartar reagente de laboratório, o mito de diluir antibiótico antes de descartar e o glossário de RSS. A classificação está na RDC 222 da Anvisa.
Sua equipe sabe que pouco Grupo B ainda é Grupo B? Fale com a Seven Resíduos.