Otorrino mistura biológico molhado com tecnologia cara
A otorrinolaringologia gera o mix mais “molhado” das especialidades ambulatoriais: secreção purulenta de seios nasais, sangue de epistaxe, cera ouvidos, fragmento de tecido de biopsia, lavagem nasal contaminada. Em paralelo, usa endoscópios óticos (videolaringoscópio, fibronasoscópio, otomicroscópio) que não são RSS mas exigem descontaminação rigorosa entre pacientes.
Esse texto é o guia direto para otorrino clínica e cirúrgica ambulatorial.
Tabela de descarte — otorrinolaringologia
| Resíduo | Grupo | Acondicionamento | Observação |
|---|---|---|---|
| Gaze, algodão usado em nariz/ouvido/garganta | Grupo A | Saco branco | Saliva, secreção, sangue |
| Cones e bicos descartáveis de otoscópio | Grupo A | Saco branco | Contato com cera/canal auditivo |
| Espéculo nasal descartável | Grupo A | Saco branco | — |
| Curativo de cera (cerume removido) | Grupo A | Saco branco | — |
| Lavado nasal de soro fisiológico contaminado | Grupo A | Saco branco | — |
| Tampão nasal pós-cirurgia/epistaxe | Grupo A | Saco branco | — |
| Agulha de imunoterapia subcutânea (IT) | Grupo E | Caixa amarela | — |
| Frasco de imunoterápico vencido | Grupo B (medicamento) | Bombona ou logística reversa do fabricante | — |
| Lâmina de bisturi (ex.: drenagem abscesso) | Grupo E | Caixa amarela | — |
| Tecido de biopsia (turbinada, amígdala, polipo) | Frasco de fixador → patologia | Fluxo paralelo | — |
| Anestésico tópico (lidocaína spray, geleia) vencido | Grupo B | Bombona | — |
| Endoscópio descartado (fim de vida) | RAEE saúde | Empresa especializada | Não vai pelo RSS comum |
| Acessório de endoscópio descartável (canal de trabalho) | Grupo A | Saco branco | — |
| Solução desinfectante usada (glutaraldeído OPA pós-descontaminação endoscópio) | Grupo B | Bombona | Tóxico — nunca esgoto |
| Fone ou cabo descartável | Grupo D se intacto, Grupo A se com fluido | Conforme uso | — |
Os 4 pontos críticos da otorrino
1. Glutaraldeído (OPA) — o tóxico esquecido
Glutaraldeído ou OPA (orto-ftalaldeído) é a solução padrão para descontaminação de endoscópios que não toleram autoclave. É tóxico — irritante respiratório, ocular, cutâneo. Sobra usada vai para bombona Grupo B.
Cuidado especial:
- Sala dedicada com exaustão para uso
- EPI completo (máscara PFF2, óculos vedados, luvas nitrílicas, avental)
- Bombona com etiqueta visível “GRUPO B — GLUTARALDEÍDO/OPA — TÓXICO”
- Coleta pela coletora de RSS, com MTR específico
2. Endoscópios — instrumento, não resíduo
Endoscópio óptico não é descartável — é reprocessado (limpo + desinfetado em alto nível com OPA + esterilizado). Não vai para o saco branco. Quando atinge fim de vida útil ou defeito não reparável, vira RAEE saúde e segue rota especial (empresa especializada em equipamento eletrônico).
3. Tampão nasal e gaze de epistaxe — saco branco classe II
Volume e umidade altos. Saco classe I rasga. Saco classe II reforçado sempre.
4. Frasco de imunoterapia — logística reversa
Imunoterápicos para alergias respiratórias (laboratórios FDA, IPI, ASAC) frequentemente têm programa de devolução de frascos vazios. Devolve pelo programa, não pelo descarte comum.
Estimativa mensal — otorrino clínica + procedimentos
Para 1 cadeira clínica + 1 sala de procedimento (drenagem de abscesso, retirada de cerume, biopsia ambulatorial), 100-140 atendimentos/mês:
| Grupo | Volume estimado | Recipiente típico mensal |
|---|---|---|
| Grupo A (biológico) | 6-10 kg | 2-3 sacos brancos 30 L |
| Grupo E (perfurocortante) | 0,3-0,8 kg | 1 caixa amarela 7 L (troca a cada 8 semanas) |
| Grupo B (químico — OPA, anestésico) | 1-3 kg | 1 bombona 5-10 L (troca trimestral) |
| Grupo D (comum) | 5-9 kg | 2-3 sacos pretos 30 L (coleta urbana) |
Custo médio SP capital (2026): R$ 200-340/mês.
Cirurgia otorrino ambulatorial — adenoidectomia/amigdalectomia em alguns casos
Em centros de cirurgia ambulatorial otorrino, surge:
- Tecido de adenoide ou amígdala descartado (parcial — parte vai para biopsia se solicitada): Grupo A1
- Sutura interna absorvível descartada de embalagem virgem: Grupo D
- Cauterizador descartável ou eletrobisturi pen-style: Grupo D após uso (sem tecido aderido) ou Grupo A (com)
Conclusão — otorrino exige PGRSS bem específico
A otorrinolaringologia tem uma combinação única: alto volume de Grupo A molhado + glutaraldeído como Grupo B significativo + endoscópios caros que viram RAEE no fim. PGRSS deve mencionar explicitamente o uso de OPA/glutaraldeído e o protocolo de descontaminação dos endoscópios.
A Seven Resíduos Saúde tem plano específico para otorrino em SP capital e ABC: bombona Grupo B com troca trimestral inclusa, saco branco classe II reforçado, PGRSS-modelo otorrino com seção sobre OPA. Solicite a proposta.