Amálgama dental contém mercúrio — entre 43% e 50% do peso da restauração. Mercúrio é metal pesado tóxico, neurotóxico, com bioacumulação em cadeia alimentar. Não pode ir no lixo comum, no esgoto, na pia ou no Grupo A. Tem fluxo próprio, regulado por CONAMA 358/2005 + RDC 222/2018 + protocolos da OMS.
De onde vem o resíduo de amálgama
O consultório/clínica gera amálgama de descarte em três situações:
- Sobra de manipulação — porção não usada após preparo da restauração
- Remoção de restauração antiga — fragmento extraído com broca durante substituição
- Filtro de sugador e cuspideira — partículas que escapam durante o procedimento
Em consultório com 20 procedimentos restauradores/mês, gera-se em média 30-80g de resíduo de amálgama.
O fluxo correto
A regra OMS + CONAMA:
1. Coletor específico
Frasco rígido, com tampa hermética, contendo água (cobrir o amálgama) ou solução de fixação. Identificado com símbolo de risco químico + “Amálgama / Mercúrio” + endereço do consultório.
2. Acumular sem misturar
Manter o frasco fechado, em local ventilado, longe de calor (mercúrio vaporiza a partir de 20°C). Não misturar com outros resíduos de Grupo B.
3. Separador de amálgama no equipo
Equipo odontológico moderno deve ter separador de amálgama com eficiência ≥95% pela ISO 11143. Captura partículas que iriam para a rede de esgoto via cuspideira. Em SP, Cetesb exige o separador desde 2018.
4. Coleta especializada
Transportador licenciado para resíduo perigoso (Classe I) com MTR específico. Destinação:
- Recuperação de mercúrio (reciclagem industrial) — preferencial
- Coprocessamento controlado — alternativa
- Nunca aterro comum, nunca incineração padrão (libera vapor de Hg)
5. Documentação
Arquivar MTR + comprovante de destinação por 5 anos + registro do volume mensal gerado.
Os erros mais graves
- Despejar amálgama na pia — a infração mais autuada. Mercúrio na rede de esgoto chega ao manancial e contamina água, peixe, paciente final. Multa CONAMA 430 + 9.605 (crime ambiental).
- Misturar com Grupo A — vai para autoclave que não inativa mercúrio. Pior: aquecimento vaporiza Hg, contamina a câmara da autoclave.
- Frasco aberto na bancada — evaporação contínua de mercúrio expõe equipe. Cumulativo, gera neurotoxicidade crônica.
A regulação internacional
A Convenção de Minamata sobre Mercúrio (Brasil ratificou em 2018, vigência plena em 2025) determina a redução gradual do uso de amálgama dental. Países europeus e EUA estão substituindo por compósitos. No Brasil, a transição é lenta, mas a Cetesb e ANVISA já restringem aplicação em gestantes e crianças <15 anos.
Quanto mais cedo o consultório migrar para compósito (resina), menor o problema com resíduo de amálgama.
Custo de coleta especializada
A coleta de amálgama é mais cara que RSS comum — cerca de R$ 5 a R$ 15 por frasco de 100g, dependendo da região. Consultório com pouco volume pode acumular até 6 meses antes da coleta (mantendo frasco fechado em ventilação).
A Seven Resíduos faz coleta de resíduo de amálgama dental com transporte Classe I e recuperação de mercúrio — MTR específico + comprovante de destinação ambiental.
Seu consultório descarta amálgama corretamente? Fale com a Seven Resíduos.