“Frasco de vidro vazio é vidro — vai na reciclagem.” Frase comum em hospital, e quase sempre errada. Vidro de frasco de medicamento, ampola, frasco-ampola, vacutainer e tubo de soro não é Grupo D — é Grupo E (perfurocortante) na maioria dos cenários. E quando teve contato com medicamento controlado ou sangue, vira Grupo A ou B.
A regra real
A RDC 222/2018 define Grupo E como “materiais perfurocortantes ou escarificantes”. Inclui:
- Agulhas, scalp, lâminas de bisturi, jelco
- Frascos de vidro, ampolas quebradas
- Vidrarias de laboratório quebradas
- Materiais cortantes em geral
A regra básica: se um trabalhador da limpeza pode se cortar ao manusear o saco, o item é Grupo E — vai em caixa rígida amarela, não em saco.
As 3 situações típicas
1. Frasco de medicamento vazio sem ativo residual
Frasco totalmente vazio, sem rótulo de controlado, sem resíduo visível: vai em caixa amarela Grupo E se for de vidro (porque pode quebrar e cortar). Não vai no saco preto Grupo D.
2. Frasco com ativo residual
Frasco com gotas de antibiótico, anestésico, hormônio ainda dentro: Grupo B (químico) — vai em bombona laranja, não em caixa amarela. O resíduo do medicamento pesa mais que o vidro na classificação.
3. Frasco que teve contato com sangue
Vacutainer com sangue (mesmo após análise no laboratório), frasco de hemocomponente, frasco usado em coleta de paciente: Grupo A1 + E simultaneamente. Vai em caixa amarela se for vidro inteiro/quebrado, mas com classificação infectante.
Frasco-ampola de medicamento controlado
Caso especial: frasco-ampola vazio de opioide, benzodiazepínico ou retinoide cai em dois regimes simultâneos:
- Portaria 344/1998 — exige termo de inutilização e destruição com farmacêutico responsável
- Grupo B + perfurocortante (E) se o vidro estiver quebrado
Esses frascos nunca podem ser descartados como vidro reciclável — risco de desvio + risco de corte + risco regulatório.
Por que o mito persiste
Três motivos:
- Equipe pensa “vidro = reciclável” sem considerar o conteúdo prévio ou o risco mecânico
- Falta caixa amarela em locais onde há descarte de frascos pequenos (sala de medicação, enfermaria)
- Treinamento NR-32 superficial que foca em agulha e esquece de outros perfurocortantes
O risco operacional
Trabalhador da limpeza que pega saco preto com frasco quebrado se corta. Acidente:
- CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho) obrigatória
- Sorologia do paciente da bolsa (quando rastreável)
- Profilaxia pós-exposição em casos suspeitos
- Notificação SESMT + Vigilância
- Custo direto: R$ 3-15 mil por acidente
E custo indireto: desconfiança da equipe terceirizada, troca de fornecedor, processo trabalhista.
A regra prática
Se for vidro de origem hospitalar/laboratorial, o default é:
- Caixa amarela Grupo E se intacto, vazio, sem ativo residual perceptível
- Bombona laranja Grupo B se tem ativo residual ou é controlado
- Caixa amarela com símbolo infectante Grupo A se teve contato com paciente/sangue
Nunca o saco preto Grupo D para vidro de medicamento, ampola ou frasco-ampola.
A exceção: vidro de embalagem secundária
Caixa de papelão com frascos de soro fechados intactos? A caixa vazia (já depois de retirar os frascos) é Grupo D reciclável. Isso sim vai na coleta seletiva — o papelão.
A Seven Resíduos faz coleta diferenciada de Grupo E, B e A com caixa rígida certificada — incluindo orientação técnica para a equipe assistencial sobre segregação correta de vidros.
Sua equipe sabe que frasco de vidro não é lixo comum? Fale com a Seven Resíduos.