Centro de hemodinâmica e procedimento endovascular (cateterismo cardíaco, angioplastia, embolização, neuroradiologia intervencionista) gera mix específico de RSS — cateteres descartáveis, fios-guia, balões, stents, contraste iodado, materiais de suporte. Quem trata como “centro cirúrgico comum” subdimensiona o Grupo B (contraste) e perde controle de OPME caro.
O que se gera por procedimento
Procedimento endovascular típico (cateterismo cardíaco, angiografia, angioplastia):
Grupo A1 (volume alto)
- Cateteres descartáveis após uso (vários por procedimento — diagnóstico + intervenção)
- Fios-guia descartáveis
- Bainhas (sheaths) descartadas
- Catéteres-balão (após inflar e desinflar)
- Gaze, compressa, EPI cirúrgico
- Curativo compressivo pós-procedimento
Grupo B (volume médio-alto)
- Frasco de contraste iodado vazio (Omnipaque, Visipaque, Iopamiron, Optiray): vestígio interno regulado
- Sobra de contraste em seringa de injeção automática
- Anticoagulante residual (heparina)
- Antibiótico profilático residual
- Antisséptico descartado
Grupo E (volume médio)
- Agulhas de punção arterial/venosa
- Lâminas de bisturi de pequena incisão
- Suturas com agulha
OPME implantado (não é RSS, é o produto entregue ao paciente)
- Stent (coronário, periférico, neurológico)
- Mola de embolização
- Endoprótese aórtica
- Filtro de veia cava
OPME descartado (defeito, contaminação, calibre errado)
- Stent não-implantado por defeito: devolução ao fabricante (logística reversa)
- Cateter aberto sem uso (contaminado durante manipulação): Grupo A1
- Fio-guia danificado durante procedimento: Grupo A1 + Grupo E
O caso do contraste iodado
Contraste é o maior gerador de Grupo B em hemodinâmica:
- 40-150 mL de contraste por procedimento comum
- 300-500 mL em procedimento complexo (angiografia cerebral, endoprótese aórtica)
- 3-8 mL/min de sobra média em frasco multidose grande
- 2-5 frascos vazios por procedimento em centro ativo
Erro frequente: frasco vazio “porque tem só vestígio” no Grupo D. Vestígio é resíduo regulado — vai em bombona Grupo B.
Volume típico
Centro de hemodinâmica de médio porte (20-50 procedimentos/dia):
- Grupo A1: 30-100 kg/dia
- Grupo B (contraste + auxiliares): 5-20 kg/dia
- Grupo E: 1-5 kg/dia
- Grupo D: 30-80 kg/dia (embalagem secundária estéril)
Centro grande (>50 procedimentos/dia, hospital terciário cardiológico): valores 2-3x maiores.
Os 3 erros mais autuados
1. Frasco de contraste no lixo comum ou Grupo D
Vestígio de iodo + composição química = Grupo B obrigatório. Autuação imediata em fiscalização.
2. Sobra de contraste despejada na pia
Contraste iodado em rede de esgoto = CONAMA 430 + risco ambiental (iodo + composição química).
3. Stent não-implantado por defeito no lixo
Stent novo, em embalagem original, com defeito de fabricação descoberto antes do uso: devolução ao fabricante (custo R$ 3-25 mil por unidade — economia importante). Stent aberto sem uso: Grupo A1.
Casos especiais
Sala híbrida (CC + hemodinâmica integrada)
Em hospital terciário com sala híbrida (cirurgia vascular complexa): fluxo combinado. Adiciona possibilidade de Grupo A3 (tecido excisado durante cirurgia aberta).
Neurorradiologia intervencionista
Procedimento com molas de embolização (Onyx, Hilal, Guglielmi): adiciona adesivos cianoacrilatos (Grupo B específico) + gel embolizante (Grupo B).
Hemodinâmica veterinária
Em centros veterinários de referência (cardiologia animal): mesmo perfil, com Grupo A4 em casos de eutanásia durante procedimento.
Documentação adicional
Centro de hemodinâmica precisa, além do PGRSS:
- Rastreabilidade de OPME (lote, validade, paciente)
- Termo de defeito de OPME devolvido ao fabricante
- Controle de contraste (lote, validade, ANVISA)
- Plano de radioproteção (radiação ionizante) cruzado com CNEN
- Plano de contingência específico (reação ao contraste, complicação intra-procedimento)
Coleta especializada
Centro de hemodinâmica:
- Coleta diária ou 3x/semana de Grupo A + B
- Plantão emergencial para complicação com volume excedente
- MTR detalhado com identificação de Grupo B contraste
Custo típico
Centro de hemodinâmica de médio porte: R$ 12-30 mil/mês em coleta. Centro grande (cardiológico terciário): R$ 30-80 mil/mês.
Importante: o custo de OPME devolvida ao fabricante (em vez de descartada) pode gerar economia de R$ 50-300 mil/mês em centro ativo. Foco em logística reversa.
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