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Compliance e Legislação 12 de maio, 2026 · 6 min de leitura

Caso real: dentista multado R$ 95 mil por amálgama

Caso anonimizado: dentista multado em R$ 95 mil por descarte irregular de amálgama com mercúrio. Sequência, defesa documental, 4 lições e prevenção.

por Jorge Jason
Atualizado em 12 de maio, 2026
Caso real: dentista multado R$ 95 mil por amálgama

Em julho de 2025, um consultório odontológico de médio porte em SP recebeu auto de infração da CETESB no valor de R$ 75 mil, somado a sanção da Vigilância Sanitária estadual de R$ 20 mil. Total: R$ 95 mil. Causa: descarte irregular de amálgama dentária contendo mercúrio durante 2 anos, identificado por inspeção rotineira que verificou o separador de amálgama ausente.

O caso é representativo de uma das 3 não-conformidades mais frequentes em odontologia restauradora — junto com revelador/fixador de raio-X e gesso (que tem regra própria). Mercúrio em amálgama é Grupo B classificado como tóxico classe I — exige separador, descarte com logística reversa do fabricante ou coletora especializada. Este caso mostra a sequência completa, a defesa documental que reduziu a multa em 25% e as 4 lições para prevenção.

Perfil do consultório

Consultório odontológico geral (clínica geral + endodontia + restauradora), 3 cadeiras, equipe de 6 profissionais (3 dentistas + 2 auxiliares + 1 recepcionista), faturamento anual R$ 600-900 mil. Tinha alvará sanitário, registro CRO, contrato com coletora de RSS para Grupo A.

O ponto cego era o amálgama. Apesar do consultório usar pouco amálgama (tendência mundial de migração para resina composta — fim oficial em vários países e redução acentuada no Brasil), ainda fazia 4-8 restaurações de amálgama por mês — pacientes mais antigos com restaurações antigas a serem refeitas, ou casos específicos onde amálgama é indicado. O resíduo (sobra do amálgama, restos de restauração antiga removida) ia direto para a pia ou junto com lixo comum.

A sequência da fiscalização

Inspeção da CETESB foi rotineira (não denúncia). O auditor visitou o consultório como parte de campanha estadual de monitoramento de mercúrio em odontologia.

Semana Evento
Semana 1 Inspeção CETESB — verificação de separador de amálgama (ausente)
Semana 1 Verificação de filtro da pia — análise química detectou mercúrio acima do limite
Semana 2 Auto de infração CETESB R$ 50 mil (descarte irregular Grupo B)
Semana 3 Notificação adicional CETESB R$ 25 mil (filtro contaminado, exige remediação)
Semana 4 VISA estadual sanção R$ 20 mil (PGRSS desatualizado em ponto-chave)
Semana 6 Defesa documental do consultório
Semana 12 Multa final R$ 95 mil + obrigação de instalar separador em 30 dias
Semana 16 Separador instalado, certificado, encerramento da infração

A defesa reduziu a multa em R$ 30 mil ao apresentar: (a) capacitação anual da equipe, (b) PGRSS atualizado em outros aspectos, (c) compromisso de instalação imediata do separador, (d) histórico de uso pequeno de amálgama. Sem esses elementos, a multa teria sido R$ 125 mil.

Por que mercúrio em amálgama é especialmente delicado

A amálgama dentária contém 42-50% de mercúrio metálico — ligado quimicamente ao prata, estanho, cobre e zinco. Quando o resíduo (sobra de mistura, fragmento de restauração antiga removida) vai para:

Por isso a CONAMA 358/2005 e a Convenção de Minamata (Brasil signatário) exigem cadeia específica:

  1. Separador de amálgama instalado na cadeira odontológica (eficiência mínima 95%)
  2. Captura do amálgama no separador — recipiente trocado periodicamente
  3. Pote tiossulfato para amálgama solto na bancada (R$ 80-150)
  4. Logística reversa do fabricante OU coletora com licença Grupo B + cadeia de tratamento certificada
  5. Comunicação à CETESB em alguns casos (volume relevante)

Os 4 erros do consultório do caso

Erro 1: Sem separador de amálgama instalado. Equipamento custa R$ 800-3.500 dependendo do modelo (centrifugado, gravitacional). Investimento desprezível em comparação à multa. Consultório operava sem separador apostando em “uso pequeno”.

Erro 2: Amálgama solto descartado em pote comum. Pequenas sobras durante manipulação iam para potinho de bancada que era esvaziado no lixo comum. Tiossulfato (líquido fixador para mercúrio) é necessário — R$ 80-150 e dura meses.

Erro 3: Restauração antiga removida descartada na pia. Quando o dentista refazia restauração antiga (broca + sucção), o resíduo ia direto para a saída da cadeira. Sem separador, foi para o esgoto.

Erro 4: PGRSS sem capítulo específico para mercúrio. O programa cobria Grupo A bem, mas mencionava Grupo B genericamente sem detalhar fluxo do amálgama. Em fiscalização, o auditor identificou a lacuna.

As 4 lições para prevenção

Em odontologia, prevenção é 300-1.000x mais barata que reparação.

  1. Separador de amálgama instalado. R$ 800-3.500 de investimento + manutenção R$ 200-500 anuais. Equipamento básico para qualquer consultório que ainda usa amálgama.
  2. Pote tiossulfato em cada bancada de manipulação. R$ 80-150 cada. Captura amálgama solto antes de ir para pia ou lixo. Coletora retira periodicamente.
  3. PGRSS detalhado com capítulo específico amálgama. Inventário, fluxo, frequência de troca do separador, destinação documentada.
  4. Considerar migrar para resina composta. Tendência global — Brasil já permite. Material elimina o problema do mercúrio. Custo unitário comparável ao amálgama em muitos casos.

O que a Seven faz

A Seven Resíduos Saúde, líder em gestão de resíduos de serviços de saúde (RSS) na Grande SP, atende consultórios odontológicos com licença para Grupo B (mercúrio amálgama) e cadeia de tratamento certificada. Mais sobre fluxos relacionados em descarte em endodontia (limas, amálgama, revelador) e auditoria interna trimestral.

FAQ

Consultório que faz só 1 restauração de amálgama por mês precisa de separador?

Sim. CONAMA não isenta por volume. Qualquer consultório que utiliza amálgama precisa de separador instalado. Custo é a fração de uma única multa.

Posso enviar amálgama recolhido para o fabricante (logística reversa)?

Sim, se o fabricante tiver programa formal. SDI (importador comum) e fornecedores nacionais aceitam retorno do amálgama recolhido pelo separador. Documentar com nota fiscal de devolução.

Quanto custa instalar separador de amálgama?

Entre R$ 800-3.500 dependendo do modelo (gravitacional simples vs. centrifugado avançado). Manutenção R$ 200-500 anuais (troca de cápsula coletora). Comparável ao custo de uma única consulta de pequeno valor — investimento desprezível.

Resina composta substitui 100% das indicações de amálgama?

Em 95-98% dos casos. Há ainda situações específicas (cárie radicular profunda, paciente sem cooperação, raros casos pediátricos) onde amálgama é indicação remanescente. Tendência mundial é eliminação progressiva.

Multa por amálgama irregular pode ser reduzida na defesa?

Geralmente sim, em 15-30%, dependendo de capacitação documentada, PGRSS atualizado em outros aspectos e compromisso de instalação imediata do separador. Sem esses elementos, redução é mínima.

Conclusão

R$ 95 mil em consultório odontológico por descarte irregular de amálgama é cenário real e prevenível com separador de amálgama + pote tiossulfato + PGRSS detalhado + logística reversa documentada. Investimento total em prevenção: R$ 1.500-4.500 + manutenção. Custo da multa: 30-100x. A Seven Resíduos Saúde acompanha consultórios odontológicos desde a calibração do PGRSS até a coleta especializada de Grupo B.

Solicite um diagnóstico de RSS odontológico — verificamos separador de amálgama, fluxo de revelador/fixador, descarte de gesso e elaboramos PGRSS específico em 7-10 dias.

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