“Hospital não recicla — tudo vira lixo contaminado.” Essa frase aparece em quase toda reunião de PGRSS quando alguém propõe coleta seletiva. É um mito. Hospital tem volume reciclável muito maior do que se imagina — basta segregar direito.
A composição real do resíduo hospitalar
Em hospital de médio porte, a distribuição típica do RSS por massa é:
| Grupo | % do volume total |
|---|---|
| Grupo D (comum, reciclável) | 35-45% |
| Grupo A (biológico) | 30-40% |
| Grupo E (perfurocortante) | 5-10% |
| Grupo B (químico) | 3-8% |
| Grupo C (radioativo) | <1% |
O Grupo D inclui papel, papelão, plástico de embalagem secundária, garrafa PET, lata de alumínio, vidro vindos de cozinha, administração, farmácia (embalagens limpas), almoxarifado, lavanderia. Tudo isso é reciclável — e está dentro do hospital, não no contaminado.
Por que o mito persiste
Três motivos por que muita gente acredita que hospital não recicla:
- Falta de segregação na origem. Se papelão da farmácia vai junto com gaze ensanguentada, todo o saco vira Grupo A e perde-se a reciclagem.
- Receio de contaminação cruzada. Equipe não treinada coloca tudo no infectante “por segurança”, sem critério.
- Ausência de fluxo paralelo de coleta seletiva. O hospital não tem contêiner separado para Grupo D reciclável.
O que diz a regulação
A Lei 12.305/2010 (PNRS — Política Nacional de Resíduos Sólidos) estabelece a hierarquia: não geração > redução > reutilização > reciclagem > tratamento > destinação final ambientalmente adequada. Hospital é obrigado a aplicar essa hierarquia no Grupo D, conforme a RDC 222/2018.
A coleta seletiva interna não é opcional para hospital de médio/grande porte — é parte do PGRSS aprovado pela Vigilância Sanitária e exigência de acreditações como ONA, JCI, Qmentum.
Como começar
Não precisa virar o hospital do dia para a noite. Os passos práticos:
- Diagnóstico: identificar os 3-5 setores que mais geram Grupo D reciclável (em geral: cozinha, almoxarifado, farmácia, administração, recepção)
- Contêineres separados: papel/papelão azul, plástico vermelho, metal amarelo, vidro verde (cores PNRS)
- Treinamento focado: 30 minutos com a equipe dos setores prioritários — o que vai onde
- Parceiro de coleta seletiva: cooperativa de catadores cadastrada ou empresa de reciclagem licenciada
- Indicador mensal: kg reciclado/kg total — meta crescente
Ganho real (não só ESG)
Hospital de 200 leitos que faz coleta seletiva organizada:
- Reduz 20-30% o custo de coleta de RSS (paga-se menos kg como infectante)
- Gera 0,5 a 2 toneladas/mês de material reciclável
- Atende indicador ESG Scope 3 sem investimento adicional
- Conta como ponto positivo em acreditação e renovação de alvará
A Seven Resíduos orienta hospitais sobre fluxo de coleta seletiva integrado ao PGRSS — separando o que é Grupo D reciclável do que é Grupo A com segurança regulatória.
Quer começar a coleta seletiva no seu hospital? Fale com a Seven Resíduos.