Centro de reabilitação (motora, respiratória, ocupacional, neurológica) parece gerar pouco resíduo regulado — predomina papel toalha, lençol de papel, embalagem secundária. Mas tem RSS sim, e a Vigilância Sanitária fiscaliza. Quem ignora a parte regulada acaba pego em auditoria — e descobre que o “pouco” do PGRSS é mesmo obrigatório.
O que se gera
Centro de reabilitação típico (fisioterapia + ocupacional + RPG, sem atendimento médico-cirúrgico):
Grupo D (volume dominante)
- Lençol de papel descartável
- Papel toalha para higienização
- Embalagens secundárias limpas (esparadrapo, fita kinésio)
- Garrafa PET de água do paciente
Grupo A1 (volume baixo mas existe)
- Curativo simples em paciente pós-cirúrgico em reabilitação
- EPI quando há paciente em precaução de contato
- Compressa com fluido biológico (suor + secreção em paciente respiratório)
- Saliva em paciente disfágico em reabilitação fonoaudiológica
Grupo E (volume muito baixo)
- Agulhas de eletroacupuntura quando o centro oferece o serviço
- Lâminas de agulhamento seco (técnica fisioterápica)
- Lancetas de glicemia capilar quando avaliação metabólica é feita
Grupo B (volume baixo)
- Sobra de gel condutor (ultrassom, TENS) em volume relevante
- Antisséptico descartado
- Sobra de óleo essencial terapêutico
- Resíduo de medicamento tópico descartado (em reabilitação dermato-funcional)
Volume típico
Centro de reabilitação médio (50-100 atendimentos/dia, sem médico):
- Grupo D: 30-80 kg/mês
- Grupo A1: 2-8 kg/mês
- Grupo E: 0,2-1 kg/mês
- Grupo B: 0,5-2 kg/mês
Total: 35-100 kg/mês — pequeno gerador (até 20 kg/mês de A+E somados).
Quando vira gerador médio
Centro de reabilitação que tem:
- Ambulatório médico integrado (atende fisiatra, neurologista)
- Procedimentos invasivos (mesoterapia funcional, infiltração intra-articular fisiátrica)
- Atendimento pós-trauma agudo (curativo de queimadura, pós-fratura recente)
- Hidroterapia em piscina com paciente incontinente (água residual com fluido biológico)
…sobe para gerador médio com PGRSS mais robusto.
A regulação aplicável
- RDC 222/2018 — RSS (sempre)
- RDC 50/2002 — infraestrutura física, especialmente da hidroterapia
- NR-32 — segurança do trabalhador exposto a fluido biológico
- Resolução CREFITO/CFFa — exercício profissional do fisioterapeuta/fonoaudiólogo
- CONAMA 358 — destinação dos resíduos
Os 3 erros mais comuns
1. Lençol de papel com suor visível no Grupo A
Suor padrão em pele íntegra não é Grupo A. Vai em Grupo D. A confusão começa quando há suor + sangue (pós-treino com pequena ferida) — aí vira Grupo A.
2. Agulha de eletroacupuntura no Grupo D
Mesmo agulha pequena, perfurocortante = caixa amarela Grupo E. Erro frequente em fisioterapia integrativa.
3. Sobra de óleo essencial na pia
Óleos vegetais simples (descrita ANS): pia em pequeno volume é tolerado. Óleos essenciais concentrados (cravo, hortelã, eucalipto): vão em Grupo B por concentração de princípio ativo.
Coleta especializada
Centro de reabilitação pequeno: coleta mensal de Grupo A+E (5-10 kg) + coleta seletiva de Grupo D pela cooperativa de catador.
Centro médio: coleta quinzenal de A+E + coleta semanal de D.
Centro integrado a hospital: já tem fluxo do hospital.
Custo típico
Centro de reabilitação pequeno (até 50 atendimentos/dia):
- Coleta de RSS regulado: R$ 100-280/mês
- Cooperativa de catador para Grupo D: zero ou pequena receita
- PGRSS simplificado: R$ 1-4 mil (única vez) + R$ 500-1.500/ano revisão
- Treinamento NR-32 anual: R$ 800-2.500
Total: R$ 1.500-5.000/ano em compliance.
Casos especiais
Reabilitação cardiovascular
Centro que faz teste ergométrico tem eletrodo descartável (com gel + adesivo + contato com pele). Vai em Grupo A1 quando contaminado.
Reabilitação respiratória
Centro de fisioterapia respiratória gera bocal de espirometria, máscara descartável, traqueostomia descartada, aspirador. Quando há paciente traqueostomizado em reabilitação, volume A1 sobe muito.
Reabilitação pós-AVC com disfagia
Resíduos de avaliação fonoaudiológica + treinamento alimentar geram saliva + alimento misturado. Em geral Grupo A1 quando há sonda + secreção.
Reabilitação pediátrica
Centro com fisioterapia pediátrica + terapia ocupacional para criança com necessidade especial: fralda contaminada (criança neuropata) vira fluxo de Grupo A1.
A Seven Resíduos atende centros de reabilitação de pequeno e médio porte com coleta licenciada de RSS adequada ao volume.
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