O mito
“Eu gero só 5 kg/mês, então pago 1/10 de quem gera 50 kg/mês — é só fazer regra de 3” — gestor pequena clínica.
Errado. PGRSS não é proporcional ao volume linear — é proporcional a complexidade + porte + risco operacional. RDC 222/2018 art. 4 classifica gerador por complexidade (microempresa não tem alíquota, hospital terciário tem). Volume pesa pouco; tipo de resíduo + risco RT + auditoria + capacitação pesam mais.
Tabela 5 fatores que afetam custo PGRSS
| Fator | Peso no custo | Por quê |
|---|---|---|
| Complexidade RSS (Grupos A+B+C+E vs só D) | Alto (40-50%) | Coletora especializada + EPI |
| Porte/área (m²) — RDC 36 + Sanitária local | Alto (20-30%) | Custo fixo abrigo + auditoria |
| Frequência coleta (mínima 2x/sem A1) | Médio (15-20%) | Caminhão dedicado |
| Volume kg/mês | Baixo (5-15%) | Marginal pós custo fixo |
| Localização (interior vs metrópole) | Médio (10-20%) | Logística reversa |
Capítulo curva de custo real
Pequena clínica não paga 1/10 de hospital — paga 15-30% dependendo do mix:
- MEI 1 procedimento/dia (5 kg/mês): R$ 80-180/mês (5R kg)
- Clínica 30 procedimentos/dia (50 kg/mês): R$ 300-600/mês (10R kg) — menor R$/kg
- Hospital 200+ leitos (1.500 kg/mês): R$ 6-15k/mês (4-10R kg) — economia escala
A clínica pequena tem MAIOR R$/kg por causa de custo fixo (RT + ART + abrigo + auditoria) diluído em pouco volume.
3 perfis afetados pelo mito
Consultório dentista solo: R$ 80-150/mês mesmo com 3 kg.
Clínica 5 médicos: R$ 200-400/mês com 12-25 kg.
Hospital pequeno: R$ 1500-3500/mês com 200-400 kg.
Sinal vermelho
- Cotação “R$/kg fixo” — provedor inadequado
- Clínica pequena sem RT mensal — economia falsa
- Ignorar Grupo B/E porque “volume baixo” — multa garantida
A verdade
PGRSS é operação fixa + variável: 70% custo fixo (RT + abrigo + capacitação) + 30% variável (kg + complexidade). Pequena clínica não paga proporcional — paga menor absoluto, maior R$/kg.
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