A hematologia avançada de 2026 cobre três grandes frentes — leucemias agudas, leucemia mieloide crônica e mieloma múltiplo — com algoritmo terapêutico transformado pelo reconhecimento de subgrupos moleculares e pela entrada de terapias dirigidas a alvos específicos. Em LMA (leucemia mieloide aguda), o venetoclax + azacitidina (estudo VIALE-A) consolidou-se como primeira linha em pacientes idosos não candidatos a quimioterapia intensiva, com mediana de sobrevida global superior a 14 meses contra 9-10 da azacitidina isolada. O midostaurin atende FLT3-mutado em primeira linha (RATIFY), o gilteritinib atende FLT3 em recidiva (ADMIRAL), e os inibidores de IDH — ivosidenib (IDH1, AGILE), enasidenib (IDH2, IDHENTIFY) e olutasidenib (IDH1, refratário) — abriram a frente molecular para mutações específicas. O revumenib (KMT2A-rearranjo) e o pivekimab sunirine (CD123) ampliaram ainda o arsenal.
Em LLA Ph+, o algoritmo combina TKI BCR-ABL (imatinibe, dasatinibe, nilotinibe, bosutinibe, ponatinibe) com quimioterapia de indução. Em LMC (leucemia mieloide crônica), os mesmos TKIs sustentam tratamento crônico de longa duração. Em mieloma múltiplo (LMM), o algoritmo atual combina bortezomib + lenalidomida + dexametasona (VRd) primeira linha, daratumumab ou isatuximab anti-CD38 em primeira linha estendida, e — em recidiva refratária — CAR-T anti-BCMA (idecabtagene vicleucel ide-cel KarMMa, ciltacabtagene autoleucel cilta-cel CARTITUDE) com taxas de resposta acima de 80%.
Cada categoria reescreve o plano de gerenciamento de resíduos de serviços de saúde (PGRSS) do serviço de hematologia.
Venetoclax e CAR-T BCMA: dois eixos crescentes do PGRSS hematológico
O venetoclax (Venclexta) é inibidor de BCL-2 oral usado em LMA por meses a anos, gerando volume crescente de comprimidos vencidos ou descartados (Grupo B medicamento) e exigindo logística reversa via farmácia hospitalar. Em centros que rodam mais de 200 pacientes/ano em VIALE-A, o volume mensal de descarte de venetoclax + azacitidina (subcutânea) é significativo e exige contrato específico de coleta.
O CAR-T anti-BCMA (ide-cel e cilta-cel) é terapia celular adoptiva geneticamente modificada classificada como Grupo A1+B classe gênica sob ANVISA + CTNBio. O processo envolve leucaferese, manufatura ex vivo (Bristol Myers Squibb, Janssen), linfodepleção com fludarabina + ciclofosfamida, infusão e suporte para CRS/ICANS. O hospital que opera CAR-T BCMA precisa ter bio-contenção nível 2 modificado e rastreabilidade individual obrigatória do produto cellular.
Tabela: terapias hematológicas avançadas 2026 e classificação PGRSS
| Estratégia | Estudo-pivô / Indicação | Resíduo gerado | Classificação RDC 222/2018 |
|---|---|---|---|
| Venetoclax + Azacitidina (VIALE-A) | LMA idoso não-intensivo | Comprimidos + frasco SC + EPI | A1 + B + E |
| Midostaurin (RATIFY) | LMA FLT3 1L | Comprimidos vencidos/partidos | B (medicamento) |
| Gilteritinib (ADMIRAL) | LMA FLT3 recidivado | Comprimidos vencidos/partidos | B (medicamento) |
| Ivosidenib (AGILE) / Enasidenib / Olutasidenib | LMA IDH1/IDH2 | Comprimidos vencidos/partidos | B (medicamento) |
| TKI BCR-ABL (imatinibe / dasa / nilo / bosu / pona) | LMC + LLA Ph+ | Comprimidos vencidos/partidos | B (medicamento) |
| Bortezomibe + Lenalidomida + Dexa (VRd) | LMM 1L | Frasco + comprimidos + EPI | A1 + B + E |
| Daratumumabe / Isatuximabe | LMM anti-CD38 1L estendido | Frasco residual + linha + EPI | A1 + B + E |
| Ide-cel (KarMMa) / Cilta-cel (CARTITUDE) | LMM CAR-T BCMA refratário | Bag CAR-T + linha + EPI | A1 + B (gênico) + E |
A leitura cruzada da tabela mostra que o serviço hematológico opera, simultaneamente, terapia oral (B isolado), infusão monoclonal anti-CD38 (A1+B+E) e CAR-T classe gênica (A1+B gênico+E) — três categorias com complexidade crescente.
A enfermagem hematológica como ponto crítico
A enfermeira que administra CAR-T BCMA em LMM refratário opera com risco de CRS grau 3-4 mais elevado que CAR-T anti-CD19 em LLA pediátrica, com janela de manifestação 24-72 horas pós-infusão. O protocolo de suporte — tocilizumabe, dexametasona, suporte vasopressor, monitorização contínua em UTI hemato-onco — é parte do PGRSS porque define a trajetória clínica e a geração de resíduo do paciente.
Para o serviço que estrutura essa frente, a Seven Resíduos atua na interface entre hematologia avançada e PGRSS auditável, com coleta especializada para resíduos hospitalares de alta complexidade calibrada para serviços que rodam VIALE-A, AGILE, VRd e CAR-T BCMA em escala.
Três perfis: como diferentes serviços absorvem o algoritmo 2026
Centro hematológico de referência (programa CAR-T BCMA ativo): opera todas as classes — venetoclax, IDH inibidores, VRd, daratumumabe, CAR-T BCMA. Tem hematologista, biossegurança nível 2 modificado, farmacêutica oncológica e UTI hemato-onco integrados.
Hospital geral com serviço de hematologia (sem CAR-T): opera VIALE-A, TKI BCR-ABL, VRd e daratumumabe. Encaminha CAR-T para centro de referência. PGRSS cobre fluxo padrão.
Clínica oncológica ambulatorial: opera infusão de daratumumabe e prescrição de venetoclax, midostaurin, IDH inibidores, TKI BCR-ABL. PGRSS limitado a Grupo B oral + Grupo A1+B+E ambulatorial.
Três erros recorrentes em PGRSS hematológico avançado
- Tratar comprimido de venetoclax vencido como medicamento oral comum. Venetoclax, midostaurin, gilteritinib, ivosidenib, enasidenib são citostáticos orais Grupo B com fluxo específico.
- Não rastrear lote de daratumumabe SC por paciente. A rastreabilidade individual é exigência da Farmacovigilância em caso de evento adverso.
- Confundir CAR-T BCMA (LMM) com CAR-T CD19 (LLA/DLBCL). Os perfis de toxicidade (CRS, ICANS, neurotoxicidade tardia, citopenias prolongadas) são distintos — protocolo PGRSS não pode ser idêntico.
O horizonte 2027: bispecíficos BCMA, talquetamabe e novos IDH inibidores
A próxima onda inclui teclistamabe (Tecvayli) e elranatamabe (Elrexfio) — bispecíficos T-cell engagers anti-BCMA SC para LMM refratário —, talquetamabe (Talvey) anti-GPRC5D para LMM e inibidores de menin em LMA KMT2A. Cada categoria nova exige revisão do PGRSS antes do primeiro paciente.
Para aprofundar, leia o post sobre linfoma avançado e CAR-T e o artigo sobre CAR-T pediátrico, além do panorama geral de PGRSS oncológico. Como referência, a RDC 222/2018 da ANVISA e o estudo VIALE-A publicado no NEJM são leitura obrigatória.
Pronto para alinhar seu PGRSS à hematologia molecular de 2026? Fale com a Seven Resíduos e estruture um plano que acompanhe seus protocolos.