Angiologia clínica e cirurgia vascular ambulatorial estão entre as especialidades médicas mais “procedimentais” do setor — quase nenhum atendimento de angiologista termina sem alguma intervenção: escleroterapia de varizes, biópsia de lesão vascular, doppler venoso, laser endovenoso, espuma densa, microflebectomia. Resultado: o consultório de angiologia é gerador RSS sob a RDC 222/2018 na grande maioria dos casos, e o PGRSS é praticamente obrigatório.
Vamos mapear os procedimentos típicos e o RSS gerado por cada um.
Os 6 procedimentos angiológicos e seus resíduos
| Procedimento | Resíduo | Grupo | Volume típico/sessão |
|---|---|---|---|
| Escleroterapia química líquida (glicose 75%, polidocanol) | Agulha 30G + frasco esclerosante + algodão | E + A1 + B (substância química) | 15-50 g |
| Escleroterapia com espuma | Agulha + frasco + seringa + algodão + EPI | E + A1 + B | 30-80 g |
| Laser endovenoso (EVLA) | Fibra de laser, EPI, anestésico tumescente | A1 + B (anestésico em volume) | 100-300 g |
| Microflebectomia (Müller) | Lâmina/gancho, sutura, EPI, gaze, soro | E + A1 | 200-400 g |
| Biópsia cutânea de lesão vascular | Punch, lâmina, formol em frasco, EPI | E + A1 + B (formol) | 80-200 g |
| Doppler venoso/arterial | Gel, papel, lenço; sem contato biológico | D (lixo comum) | 0 g de RSS |
Cada angiologista tem mix próprio de procedimentos. Mas a soma típica de uma clínica média (10-15 procedimentos/dia) gera 2-6 kg/dia de RSS = 50-150 kg/mês.
Escleroterapia: o procedimento dominante
Escleroterapia (química líquida ou espuma) é responsável por 60-80% dos procedimentos em consultório angiológico. Resíduo:
- Agulha 30G após cada injeção → Grupo E, caixa amarela. Em uma sessão típica de 10-30 picadas, são 1-3 agulhas (cada uma comporta múltiplas injeções com mesmo paciente).
- Frasco vazio de esclerosante (polidocanol, glicose hipertônica, oleato de monoetanolamina) → A1 + Grupo B residual. A maioria das clínicas trata como A1 simples.
- Seringa para diluição da espuma → A1.
- Algodão, gaze, fita → A1.
Volume típico: 0,3-0,8 kg/sessão. 200-400 sessões/mês em clínica média = 80-200 kg/mês.
Laser endovenoso (EVLA): o RSS mais técnico
Tratamento de safena via laser endovenoso é procedimento com seguro 24h, exige equipe maior, gera mais resíduo:
- Fibra de laser (única vez de uso) → A1.
- Anestésico tumescente em alto volume (200-500 ml por procedimento) → embalagem A1.
- EPI de óculos protetores (reusável) → não é RSS.
- Catéter venoso central periférico → A1 + E (agulha de punção).
- Compressas, sutura → A1.
Volume típico por EVLA: 0,5-1 kg de A1.
Biópsia cutânea: o detalhe do formol
Biópsia de pele para suspeita de melanoma, leucocitoclasia, vasculite cutânea gera frasco com tecido fixado em formol 10% (formaldeído). Esse frasco:
- Vai para o laboratório de patologia com o pedido médico.
- O frasco vazio do formol residual após o lab analisar volta como Grupo B.
- Se o frasco for descartado na própria clínica antes de enviar para patologia (o que não deveria acontecer — patologia pede o tecido em formol) → é A1 + B.
Erro comum: clínica pequena descarta o frasco com tecido se o paciente não autoriza biópsia ou se há erro no procedimento. Frasco com formol e tecido humano = A1 obrigatório, com formol residual classificado Grupo B.
Volume e custo médio
Clínica de angiologia/cirurgia vascular ambulatorial em São Paulo típica:
- Volume: 50-150 kg/mês (alto pelo perfil procedural intenso).
- Coleta especial mensal/quinzenal: R$450-950/mês.
- PGRSS implantação: R$3.500-7.000.
- Atualização anual: R$800-1.800.
Para clínica de cirurgia vascular maior com EVLA, fleboplastia e ablação por radiofrequência rotineiros: 100-300 kg/mês, R$700-1.800/mês.
Anestésico tumescente: subestimado por muitos PGRSS
EVLA, microflebectomia e ablação usam grandes volumes de anestésico tumescente (lidocaína diluída em soro fisiológico com adrenalina). Embalagem vazia (frasco de 250-500 ml) → A1, não lixo comum. Frasco de adrenalina concentrado vencido → Grupo B.
Erros comuns
- Tratar agulha 30G como “agulha pequena, lixo comum”. Calibre fino não muda o grupo — é E sempre.
- Descartar frasco de polidocanol como reciclável. É A1 + B.
- Misturar resíduo procedural com lixo do café. Lixeira A1 deve estar na sala de procedimento, separada da copa/sala de espera.
- Não emitir MTR semanal em clínica volumosa. Volume alto exige rastreabilidade frequente.
Conclusão
Angiologia e cirurgia vascular ambulatorial são sempre geradoras RSS pela natureza essencialmente procedural do consultório. PGRSS, segregação rigorosa por sala, coleta quinzenal/mensal e treinamento da equipe (médico + técnica de enfermagem) são obrigatórios. Volume médio justifica custo absoluto baixo proporcional à receita típica.
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