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Compliance e Legislação 12 de maio, 2026 · 6 min de leitura

Farmácia hospitalar centralizada: PGRSS específico

Farmácia hospitalar centralizada (CAF) gera RSS específico em fracionamento, citostáticos, controlados, NPT. Veja PGRSS, volumes e os 4 erros mais comuns.

por Jorge Jason
Atualizado em 12 de maio, 2026
Farmácia hospitalar centralizada: PGRSS específico

Farmácia hospitalar centralizada — também chamada de Central de Abastecimento Farmacêutico (CAF) — é a unidade que prepara doses individuais para múltiplos pacientes internados ou ambulatoriais a partir de embalagens maiores ou matérias-primas. A operação é distinta da clínica de quimio ambulatorial por preparar lote (não dose única para 1 paciente em curso), e gera RSS com perfil próprio.

A combinação fracionamento de comprimido + diluição de injetável + manipulação magistral em alguns casos + reembalagem para dose unitária gera 15-50 kg/mês de RSS em CAF média, com predominância de Grupo B (resíduo de medicamento) + A1 (EPI da equipe) + frascos de vidro (D ou B conforme conteúdo). Aplicar RDC 222/2018 da ANVISA + RDC 67/2007 (manipulação) sem ajuste para o nicho subestima a complexidade documental + Portaria 344/1998 para controlados. Este guia mostra os fluxos típicos e os 4 erros mais comuns.

Por que CAF gera RSS específico

Diferente da farmácia comunitária (drogaria), a farmácia hospitalar:

Volume e mix variam conforme escopo do CAF. Hospital pequeno (50-80 leitos) tem CAF simples; hospital grande (200+ leitos) tem CAF com salas dedicadas.

Tabela: 6 fluxos típicos da CAF

Atividade Materiais típicos Grupo dominante Volume mensal
Fracionamento de comprimido (dose unitária) Blister cortado, comprimido fragmentado B 3-8 kg
Diluição injetável (antibiótico EV, analgésico) Ampola vazia, frasco vazio, agulha aspiração B + E 5-12 kg
Manipulação magistral simples Frasco vazio, gaze, papel-filtro B + A1 2-5 kg
NPT (nutrição parenteral) — sala dedicada Sistema de bolsa fechada, EPI saturado A1 + B 4-10 kg
Citostáticos (sala separada) Cabine fluxo laminar EPI, frascos com sobra B citostático + A1 5-15 kg
Devolução de medicamento de paciente alta Comprimidos intactos para reuso institucional ou descarte B 1-3 kg

A manipulação de citostáticos exige sala dedicada com cabine Classe II Tipo B2, EPI específico (avental impermeável + máscara N95 + dupla luva nitrila + óculos). Resíduo é Grupo B citostático com cadeia de incineração obrigatória — coletora deve ter licença explícita.

Volumes e custos por porte

Perfil Volume RSS/mês Custo coleta/mês
CAF de hospital pequeno (50-80 leitos, sem citostáticos) 8-15 kg B + 2-5 kg A1 + 0,5-2 kg E R$ 400-900
CAF de hospital médio (100-200 leitos, com citostáticos) 15-35 kg B + 8-15 kg A1 + 2-5 kg E + 5-12 kg B citostático R$ 1.200-2.800
CAF de hospital grande (250+ leitos, com NPT + citostáticos) 35-80 kg B + 20-40 kg A1 + 5-12 kg E + 15-30 kg B citostático R$ 2.500-5.500

PGRSS específico fica em R$ 8-25 mil de elaboração e R$ 2-5 mil anuais de revisão. Frequência de coleta semanal a bissemanal conforme porte.

A questão do controlado (Portaria 344)

CAF gerencia estoque de medicamentos controlados (psicotrópicos, opioides, alguns ansiolíticos). Quando vencidos:

  1. Auditoria do estoque — identificar todos os controlados vencidos
  2. Tritura documentada com testemunha — ata assinada por farmacêutico responsável + 1 testemunha (chefe de enfermagem, gerente)
  3. Identificação no recipiente — “medicamento controlado triturado, Portaria 344 lista A1/B1/etc.”
  4. Coletora com licença A1 da Portaria 344 — não basta licença Grupo B comum
  5. Comunicação à VISA estadual — alguns estados exigem notificação prévia
  6. Arquivo da ata por 5 anos

Volume típico em hospital médio: 100-300 unidades vencidas/ano = 0,5-2 kg de medicamento triturado. Operação rara (1-2 vezes/ano) mas com requisito documental rigoroso.

Os 4 erros mais comuns na fiscalização

Erro 1: Citostático em coletora comum. Coletora sem licença explícita para B citostático aceita o resíduo “como cortesia”. Em fiscalização cruzada (CETESB + VISA), gera autuação para o gerador (CAF) por destinação inadequada. Verificar licença da coletora ANTES de contratar.

Erro 2: Fracionamento sem registro do descarte. Comprimido fragmentado durante fracionamento que não vira dose entregue (rejeito de qualidade) deve ser registrado no livro de manipulação. Sem registro, em fiscalização gera questionamento de “rastreabilidade do lote”.

Erro 3: NPT vencida descartada como Grupo A. Bolsa de nutrição parenteral total que vence antes do uso é Grupo B (composto químico complexo). Vai para incineração específica, não para autoclavagem comum.

Erro 4: Controlado triturado sem ata. Tritura é etapa correta, mas sem ata documentada (com testemunha + assinatura do farmacêutico responsável) não vale como cumprimento da Portaria 344. Multa típica R$ 15-50 mil + apuração ética CRF.

Capacitação e EPI

Equipe de CAF usa EPI específico por área: cabine de injetáveis (avental + dupla luva + óculos), sala de citostáticos (avental impermeável + N95 + dupla luva + óculos com proteção lateral + sapatilha), área de fracionamento (avental + luva + máscara). Capacitação anual pela NR-32 com módulo específico para citostáticos + manipulação magistral + Portaria 344.

A Seven Resíduos Saúde, líder em gestão de resíduos de serviços de saúde (RSS) na Grande SP, atende CAFs com licença completa para Grupo B (incluindo citostáticos) + A1 + E + Portaria 344. Mais sobre fluxos correlatos em BPF farmácia manipulação — interface PGRSS e clínica de quimioterapia ambulatorial.

FAQ

CAF de hospital pequeno (sem citostáticos) precisa de coletora especializada?

Coletora com licença Grupo B é necessária. Se o hospital pequeno faz só fracionamento + diluição comum (sem citostáticos), licença Grupo B padrão atende. Citostáticos exigem licença adicional explícita.

Posso reembalar medicamento devolvido de paciente para reuso?

Em alguns casos sim, com critérios rigorosos (medicamento intacto, embalagem primária preservada, validade verificada). Maioria dos hospitais não reusa por segurança — descarta como B. Política de farmácia hospitalar deve definir.

Tritura documentada de controlado pode ser feita por técnico em farmácia?

Não. Portaria 344 exige farmacêutico responsável com testemunha. Técnico em farmácia pode auxiliar, mas a responsabilidade legal é do farmacêutico (CRF).

NPT vencida pode ir para incineração comum?

Não. Bolsa de NPT contém aminoácidos, lipídios, eletrólitos, vitaminas em alta concentração — Grupo B exige incineração específica com filtros adequados para vapores químicos. Coletora deve ter cadeia de tratamento explicitada.

Quanto custa adequar PGRSS de CAF?

Entre R$ 8-25 mil de elaboração + R$ 2-5 mil anuais. Para hospital médio com citostáticos, custo total no primeiro ano em torno de R$ 30-50 mil. Vs. multa típica em irregularidade R$ 100-500 mil.

Conclusão

Farmácia hospitalar centralizada (CAF) tem perfil RSS específico — fracionamento, manipulação, citostáticos, NPT, controlados. PGRSS detalhado, coletora com licença Grupo B explícita (incluindo citostático e Portaria 344) e capacitação anual da equipe são os pilares. A Seven Resíduos Saúde atende CAFs do hospital pequeno ao grande na Grande SP.

Solicite um diagnóstico de PGRSS para sua farmácia hospitalar — fazemos o levantamento por sala (fracionamento, injetáveis, citostáticos, NPT), calibramos volume real e indicamos coletora com licença completa para o portfólio.

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