Centro de quimioterapia ambulatorial — também chamado CACON (Centro de Alta Complexidade em Oncologia) ou UNACON (Unidade de Assistência) — opera em um dos perfis mais sensíveis de RSS no setor saúde. O resíduo é Grupo B citostático sob a RDC 220/2004 da ANVISA (Boas Práticas de Citostáticos) + RDC 222/2018, com destinação obrigatória por incineração T > 1.000°C com licença específica.
O que é Grupo B citostático
Citostáticos (ou antineoplásicos) são medicamentos que interferem na divisão celular — ciclofosfamida, doxorrubicina, vincristina, cisplatina, paclitaxel, fluorouracil, metotrexato em alta dose, e os mais novos imunoterápicos com componente citotóxico. Toda exposição é genotóxica, mutagênica, teratogênica.
Sob a RDC 220:
- Manipulação só em cabine de fluxo laminar vertical Classe II Tipo B2.
- EPI específico: avental impermeável, dupla luva (nitrila), máscara N95/PFF3, óculos.
- Manuseio por profissional capacitado em quimioterapia.
- Resíduo gerado: Grupo B citostático (não A1, não E simples).
Os 5 fluxos de RSS na quimioterapia
| Fluxo | Resíduo | Grupo |
|---|---|---|
| Manipulação na cabine | Frasco vazio + ampola + seringa + EPI da farmacêutica | B citostático |
| Aplicação no paciente | Equipo + cateter + bolsa diluente residual + EPI da enfermeira | B citostático + A1 |
| Lavagem do cateter | Soro fisiológico em circuito + algodão | A1 (após lavagem) |
| Limpeza pós-aplicação (sala) | Pano descartável + spray descontaminação | B citostático |
| Vômito/excreta paciente nas primeiras 48h | Lenço, fralda, vômito | A1 + B (paciente excreta resíduo metabólico citostático) |
Volume e custo médio
Centro de quimio ambulatorial pequeno-médio (10-30 pacientes/dia, 3-5 dias/semana):
- Volume Grupo B citostático: 15-50 kg/mês.
- Volume A1 associado: 30-80 kg/mês.
- Coleta especial diária ou em dias alternados (volume + risco): R$2.500-6.500/mês.
- PGRSS especializado: R$15.000-30.000 inicial.
- Atualização anual: R$3.000-6.000.
Centro grande (40+ leitos/dia, infusão simultânea):
- Volume B citostático: 80-200 kg/mês.
- Coleta diária: R$6.000-12.000/mês.
- PGRSS top + auditoria semestral: R$25.000-50.000 inicial.
Coletora deve ter licença específica
Coletora de RSS comum não atende. Requer:
- Licença CETESB classe específica para citostático (Grupo B genotóxico).
- Incineradora licenciada para citostático (T > 1.000°C com filtros HEPA + filtro carvão ativado para vapor de citostático).
- Equipe treinada em transporte de Grupo B perigoso (ADR/IMDG para classe 6.1).
- Veículo adaptado com compartimento separado vs RSS comum.
Custo da coletora citostático especializada é 2-3× o custo de coleta RSS comum por kg, o que justifica o preço alto.
Excretas do paciente: o resíduo “esquecido”
Paciente em quimio elimina 48-72 horas após aplicação resíduo metabólico citostático no urinário, fecal e suor. Em ambiente ambulatorial:
- Banheiro do paciente recebe excretas → potencial contaminação de cuidadores e equipe.
- Fralda de paciente em quimio → Grupo B + A1 (não fralda comum).
- Vômito durante aplicação → A1 + B citostático.
PGRSS de quimio ambulatorial deve explicitamente abordar excretas: instrução escrita ao paciente, banheiro dedicado quando possível, descarte específico de fralda em paciente domiciliar.
EPI específico: classe 6 (não comum)
EPI de quimio é EPI classe 6 sob a Norma Regulamentadora NR-32:
- Avental impermeável com punhos elásticos.
- Dupla luva nitrila trocada a cada 30 min ou se rasga.
- Máscara PFF3 ou N95 com filtro VOC se manipulação aberta.
- Óculos vedados (não escudo facial simples).
Tudo descartado é B citostático, sem exceção.
Erros graves específicos do setor
- Misturar resíduo de quimio com RSS A1 comum — pode invalidar todo o lote.
- Reusar EPI entre aplicações (proibido para citostático).
- Descartar frasco de citostático em saco branco simples — vai para incineradora não-licenciada que não destrói o citostático adequadamente.
- Ignorar excretas do paciente — risco para cuidador domiciliar + equipe.
Penalidades específicas
- ANVISA RDC 220: pode revogar autorização de funcionamento de oncologia.
- CETESB: multa R$50 mil-2 milhões.
- CFM/COREN: cassação dos profissionais responsáveis.
- SUS/ANS: descredenciamento + paralisação de faturamento.
A quimio ambulatorial é altamente fiscalizada. Conformidade não é opcional.
Conclusão
Centro de quimioterapia ambulatorial opera no mais alto nível de complexidade de RSS — Grupo B citostático com regulação específica, coletora licenciada para genotóxico, EPI classe 6, atenção a excretas do paciente. Custo proporcionalmente alto (R$2.500-12.000/mês de coleta + R$15-50 mil PGRSS), mas pequeno frente ao faturamento (R$1-10 milhões/mês via convênios + SUS) e crítico para manutenção de credenciamento e segurança da equipe.
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