Radiologia tem material com fluxos muito diferentes de descarte. Em serviço 100% digital, o problema é mínimo (frasco de contraste, perfurocortante). Em serviço analógico ou misto, ainda há filme radiográfico, líquido revelador, líquido fixador, avental de chumbo — cada um com regra própria. Quem trata como “lixo administrativo” abre fiscalização.
Os 4 tipos típicos
1. Filme radiográfico
Filme com prata na emulsão — recuperável e ambientalmente regulado. Vai em:
- Grupo B (recuperação de prata) quando há volume — empresa especializada compra para extração
- Em volume pequeno (consultório), pode ir junto com Grupo D para reciclagem específica
Não vai no lixo comum — a prata na emulsão é metal pesado regulado.
2. Líquido revelador
Solução com hidroquinona, fenidona, sulfito de sódio + resíduos de prata após uso. Vai em:
- Grupo B (químico) — bombona específica laranja
- Coleta especializada com MTR
- Destinação: tratamento físico-químico + neutralização + descarte controlado
Erro grave: despejar no esgoto sanitário. Autuação CONAMA 430 imediata.
3. Líquido fixador
Solução com tiossulfato de sódio + ácido acético + resíduos de prata recuperáveis. Mesmo fluxo do revelador, mas com possibilidade de recuperação de prata pelo destinador (gera receita ao gerador em alguns contratos).
4. Avental de chumbo
Avental, protetor de tireoide, óculos plumbíferos. Quando atingem fim de vida útil (rachado, desgastado):
- Não vai em RSS comum — chumbo é metal pesado
- Não vai em coleta seletiva — não é reciclável convencional
- Vai em fluxo de resíduo perigoso Classe I com transportador especializado
- Comunicação ao CNEN quando o estabelecimento opera com radiologia regular
Avental de chumbo descartado errado pode contaminar aterro e mananciais.
Material de Tomografia/RM (já era Grupo B)
Já tratado em outro post: frascos vazios de contraste iodado (TC) e gadolínio (RM) vão em Grupo B, não Grupo D. Aqui, foco em material analógico/intermediário que muitos centros ainda têm.
Frequência de descarte
- Filme: acumular 6-12 meses (volume pequeno) ou coleta trimestral em centro grande
- Revelador/fixador: trocar conforme manual técnico (em geral, mensal); descarte com cada troca
- Avental de chumbo: fim de vida útil é evento raro (2-7 anos) — coleta avulsa
Volume típico
Centro de radiologia 100% digital (raio-X digital, TC, RM):
- 0 kg/mês de revelador/fixador
- 0 kg/mês de filme
- 3-10 kg/mês de Grupo B (contraste TC/RM)
- 1-2 aventais a cada 2-5 anos
Centro misto (digital + analógico) ou consultório odontológico com raio-X analógico:
- 5-20 L/mês de revelador + fixador
- 1-5 kg/mês de filme
- 1-2 aventais a cada 3-7 anos
Documentação adicional
Centro de radiologia precisa:
- Plano de Proteção Radiológica (PPR) atualizado, com responsável técnico CNEN
- Memorial descritivo do serviço enviado à Vigilância
- Sala de revelação (se analógica) com requisitos de ventilação e ralo conectado ao tratamento
- Plano de descarte dos químicos no PGRSS
Os 3 erros mais comuns
- Revelador descartado na pia — CONAMA 430 multa direta
- Filme misturado com Grupo A no lixo infectante — prata vai para autoclave/aterro, perde reciclagem
- Avental de chumbo no Grupo D — contaminação ambiental + autuação
Casos especiais
- Radiologia odontológica analógica (consultório dentário com raio-X de filme) — gera resíduo em volume baixo mas precisa ter PGRSS específico
- Medicina nuclear — adiciona Grupo C (radioativo) com fluxo CNEN próprio
A Seven Resíduos atende centros de radiologia com coleta especializada de Grupo B revelador/fixador + recuperação de prata + descarte de avental plumbífero — MTR detalhado por tipo de químico.
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