Hospital descarta toneladas de equipamento eletrônico por ano — monitor multiparamétrico que parou, bomba de infusão que não tem mais reparo, ventilador antigo, computador da administração. Não é RSS pelo Grupo D comum — é Resíduo Eletroeletrônico (REEE) com regulação específica: PNRS (Lei 12.305/2010) + decreto 10.240/2020 (logística reversa) + RoHS internacional. Quem joga no lixo comum perde recurso valioso e abre fiscalização.
Por que REEE é diferente
Equipamento eletrônico contém:
- Metais valiosos — ouro, prata, platina, cobre (recuperáveis)
- Metais pesados tóxicos — chumbo (solda), mercúrio (display antigo), cádmio, berílio
- Plásticos retardantes de chama com bromo
- Bateria (lítio, níquel-cádmio, chumbo-ácido) — regulada separadamente
- Dados sensíveis em HD/SSD/memória interna
Descarte irregular contamina solo e lençol freático + perde recurso recuperável + viola PNRS.
A regulação no Brasil
PNRS (Lei 12.305/2010)
Estabelece logística reversa obrigatória para REEE. O fabricante/importador é corresponsável pela destinação final.
Decreto 10.240/2020
Regulamenta especificamente eletroeletrônico de uso doméstico — equipamento médico tem fluxo paralelo.
Acordo Setorial REEE
Operacionaliza pontos de coleta + descontaminação + reciclagem.
Resoluções estaduais
Cada estado tem regramento próprio para grandes geradores. SP tem Decreto 64.103/2019.
O fluxo correto
1. Mapeamento
Listar todos os equipamentos:
- Patrimônio: número de série, modelo, fabricante
- Estado: funcional/inutilizado
- Possui dados sensíveis (HD, prontuário, dado de paciente)?
- Possui bateria (separar para fluxo próprio)
2. Inutilização técnica
Equipamento eletromédico antes do descarte precisa:
- Sanitização de dados (LGPD) — formatação certificada, ou destruição física do disco
- Inutilização funcional quando exigido por contrato de leasing/comodato
- Termo de baixa patrimonial assinado
3. Logística reversa
Opções:
- Devolução ao fabricante (se contrato prevê) — preferencial
- Empresa especializada em REEE licenciada com LO específica para Classe I
- Acordo Setorial REEE em PEV (Ponto de Entrega Voluntária)
- Doação a instituição que dê outra finalidade (com termo)
4. Documentação
- MTR específico para REEE (em SP, CADRI categoria 7)
- Certificado de destruição de dados (quando aplicável)
- Certificado de destinação ambiental
- Arquivar por 5 anos mínimo
O que NÃO fazer
- Jogar no Grupo D comum — viola PNRS, perde reciclagem
- Vender para sucateiro informal — sem licença ambiental, sem certificado
- Doar sem termo — risco LGPD se houver HD com dados
- Quebrar fisicamente sem proteção — contaminação por chumbo/mercúrio
Equipamentos médicos específicos
Monitor multiparamétrico, ECG, oxímetro
REEE com possível dado clínico (memória interna). Sanitização obrigatória antes do descarte.
Bomba de infusão
REEE + bateria + memória interna com histórico de protocolos. Sanitização + fluxo PNRS.
Ventilador mecânico
REEE + componente metálico recuperável + componente plástico. Devolução ao fabricante quando há contrato; senão, fluxo PNRS Classe I.
Equipamento radiológico (raio-X, TC, RM)
Adiciona regulação CNEN quando há fonte radioativa (não confundir com contraste; alguns equipamentos têm fonte de calibração radioativa). Descomissionamento via empresa licenciada CNEN.
Eletrodos descartáveis com adesivo
São Grupo A1 quando usados (contato com paciente) — fluxo RSS normal, não REEE.
Volume típico
Hospital de 200 leitos descarta 2-8 toneladas/ano de REEE:
- Equipamento eletromédico: 60-70% do volume
- TI e administração: 20-30%
- Equipamento de cozinha/lavanderia industrial: 5-15%
Custo típico
REEE com logística reversa é carga negativa: o gerador paga para descartar adequadamente. Custo médio:
- Equipamento médico complexo (ventilador, monitor): R$ 100-400/unidade
- Computador/notebook: R$ 30-80/unidade
- Periférico (impressora, scanner): R$ 20-60/unidade
Para hospital de 200 leitos: R$ 8-30 mil/ano de gasto em REEE.
A Seven Resíduos integra coleta especializada de REEE hospitalar ao contrato de RSS — incluindo sanitização de dados LGPD-compliant.
Seu hospital tem fluxo correto para equipamento eletrônico? Fale com a Seven Resíduos.