Banco de sangue e serviço de hemoterapia têm um perfil de resíduo que confunde gestor: parece centro cirúrgico, mas não é. A maior parte do volume é bolsa de sangue e hemocomponente descartado — e isso muda a classificação, o coletor e a frequência de coleta.
Por que não é resíduo comum
Quem trata bolsa vencida ou sorologia-positiva como “lixo de laboratório” erra a classe. Sangue e hemocomponente descartado é Grupo A2 na RDC 222/2018 — risco biológico com possibilidade de agente de alta transmissibilidade. Não vai em saco branco leitoso comum de Grupo A1 sem o tratamento e a rastreabilidade que o A2 exige.
O erro custa caro: bolsa de sangue na pia ou no esgoto é infração ambiental direta (CONAMA 430), e bolsa positiva no fluxo errado é não conformidade grave em fiscalização da Vigilância.
O que se gera no fluxo
O resíduo de hemoterapia se distribui em três blocos principais:
- Grupo A2 — bolsa de sangue total/concentrado vencida, hemocomponente descartado, bolsa de aférese, sangue de teste sorológico positivo
- Grupo B — reagentes de tipagem, NAT e sorologia; soluções de controle de qualidade vencidas
- Grupo E — agulha de coleta, scalp, sistema de aférese com perfurante, lâmina
- Grupo D — embalagem secundária limpa, papel
A bolsa de sangue é o item de maior massa. Um serviço de médio porte (200-500 coletas/mês) gera 40-120 kg/mês de Grupo A2 só de bolsas e segmentos de tubo descartados após validade ou descarte sorológico.
O que o gestor precisa controlar
Três pontos resolvem 90% das não conformidades:
- Coletor identificado e refrigeração — bolsa descartada vai em coletor rígido estanque, em área com controle de temperatura até a coleta, evitando extravasamento
- Rastreabilidade do descarte — toda bolsa inutilizada precisa de registro (lote, motivo, destino) cruzado com o MTR; isso conecta com a exigência da Anvisa para hemoterapia (RDC 34/2014)
- Segregação do reagente — kit de sorologia e NAT vencido é Grupo B, não vai junto da bolsa A2
A frequência típica é 2-3x por semana para serviço de médio porte, podendo ser diária em hemocentro de grande porte ou em campanha de captação.
| Porte | Coletas/mês | Grupo A2/mês |
|---|---|---|
| Pequeno (posto de coleta) | até 150 | 10-35 kg |
| Médio (agência transfusional) | 150-500 | 40-120 kg |
| Grande (hemocentro) | 500+ | 120-400 kg |
O que isso significa para a coleta
Banco de sangue precisa de um contrato que reconheça o Grupo A2 como item dominante — não um contrato genérico de Grupo A. Isso afeta o dimensionamento do coletor, a frequência e o custo por quilo. Quem usa contrato de clínica comum subdimensiona e tem extravasamento em pico de captação.
A Seven Resíduos atende bancos de sangue e agências transfusionais com coleta especializada de Grupo A2 + reagente Grupo B + rastreabilidade por lote. Vale cruzar com o conteúdo sobre coleta de RSS em laboratório de análises clínicas, o glossário de RSS e a base da CONAMA 358. A norma sanitária da hemoterapia está na Anvisa.
Seu banco de sangue tem contrato dimensionado para Grupo A2? Fale com a Seven Resíduos.