O câncer de pulmão de não pequenas células (NSCLC) é, no Brasil, doença majoritariamente do idoso: aproximadamente 60% dos novos diagnósticos ocorrem em pacientes ≥65 anos, e 30-35% em ≥75 anos segundo dados do INCA. O algoritmo terapêutico de 2026 incorporou, na última década, três adaptações específicas para essa população: substituição de cisplatina por carboplatina (CBDCA) em pacientes com ECOG PS 1-2 ou com função renal limítrofe (clearance < 60 mL/min), regimes fracionados weekly (paclitaxel weekly em vez de q3w) para reduzir mielotoxicidade pico, e doses planas (flat dose) de imunoterapia (pembrolizumab 400 mg q6w em vez de 200 mg q3w; nivolumab 480 mg q4w) para reduzir frequência de visitas e exposição infusional.
A frente molecular ganhou opções especialmente favoráveis ao idoso: osimertinibe (EGFR del19/L858R) é oral diário com perfil de tolerância excelente e dispensa infusão; alectinibe (ALK+) e sotorasibe / adagrasibe (KRAS G12C) seguem mesma lógica oral. Em doença extensa SCLC, lurbinectedina (Zepzelca) em 2L oferece infusão única q3w com perfil de toxicidade mais favorável que topotecano clássico. Em mesotelioma pleural ≥70 anos, a combinação nivolumabe + ipilimumabe (CheckMate-743) dispensa quimioterapia em pacientes selecionados.
E o ponto que liga tudo isso à coleta de resíduos hospitalares: o serviço oncológico que atende NSCLC idoso em volume alto opera com perfil de resíduo distinto do adulto-jovem — mais visitas ambulatoriais, mais hospitalização por toxicidade, maior proporção de oral, maior taxa de logística reversa.
Como o idoso NSCLC reescreve o fluxo PGRSS torácico
A migração para carboplatina muda o perfil do resíduo Grupo B: frasco de carboplatina (CBDCA) vs. cisplatina (CDDP) tem composição química distinta, e o EPI ocupacional pode ser ajustado por menor risco renal (mas não por menor risco hematológico — CBDCA é mais mielotóxico que CDDP por mg/m²).
O regime weekly de paclitaxel (50-80 mg/m² semanal em vez de 175-200 mg/m² q3w) triplica o número de infusões no curso terapêutico — multiplicando linearmente o resíduo Grupo A1+B+E gerado por paciente. O pembrolizumab flat dose 400 mg q6w reduz a frequência de visita, mas mantém volume de resíduo similar por dose.
A terapia oral dirigida (osimertinibe, alectinibe, sotorasibe) migra o paciente de regime hospitalar para regime domiciliar — concentrando resíduo em farmácia hospitalar (preparo, dispensação, logística reversa) e em descarte ambulatorial periódico.
Tabela: adaptações NSCLC idoso e impacto sobre PGRSS
| Adaptação | Indicação típica | Impacto sobre resíduo | Implicação PGRSS |
|---|---|---|---|
| Cisplatina → Carboplatina | ECOG 1-2 / ClCr < 60 | Frasco CBDCA + EPI ajustado | Mesmo Grupo B, perfil químico distinto |
| q3w → weekly paclitaxel | Tolerância individual | 3x número de infusões | 2-3x volume A1+B+E por curso |
| Flat dose (pembro 400 q6w) | Logística e adesão | Mesma quantidade, menos frequente | Concentração de pico por evento |
| Oral dirigida (osi/alec/soto) | EGFR/ALK/KRAS | Migração para domiciliar | Maior logística reversa Grupo B |
| Lurbinectedina (Zepzelca) 2L SCLC | Idoso pós-platina | Infusão única q3w + EPI específico | Grupo A1+B+E mensal |
| Nivo+ipi (CheckMate-743) mesotelioma | Não-candidato QT | Dispensa quimio | Migra resíduo de B para A1+B+E imuno |
| Durvalumab (PACIFIC) consolidação | Pós-CRT estágio III | Manutenção 12 meses | Resíduo crônico ambulatorial |
| ICD palco SBRT em vez de cirurgia | Estágio I medical inoperable | Máscara + EPI radio | Grupo D + A1 residual |
A leitura horizontal: cada adaptação oncogeriátrica muda o timing, o volume e a localização do resíduo gerado. Serviço oncológico que atende >30% idosos opera com fluxo PGRSS operacionalmente distinto do serviço com perfil predominantemente adulto-jovem.
A logística reversa de TKI oral em idosos
A taxa de descontinuação de TKI oral em pacientes ≥70 anos por toxicidade (osimertinib: rash, diarreia; alectinibe: anemia, fadiga; sotorasibe: hepatotoxicidade) é 2-3x maior que em adultos jovens. O resultado: mais comprimidos sobrando ao final do ciclo terapêutico, mais devolução à farmácia hospitalar via logística reversa, mais Grupo B medicamento ambulatorial capturado pelo sistema hospitalar.
Hospital que articula essa logística reversa com farmácia comunitária parceira (Drogasil, Pacheco, Pague Menos) reduz o passivo difuso de TKI oncológico oral no esgoto doméstico e ganha pontos em score ESG e conformidade RDC 222 + PNRS.
A Seven Resíduos atua nessa frente com coleta especializada de resíduos farmacêuticos e citotóxicos calibrada para serviços oncológicos com volume crescente de idosos em TKI oral.
Três perfis: como diferentes serviços operam NSCLC idoso
Centro oncológico torácico de referência com programa de oncogeriatria: opera CGA universal ≥70 anos, adaptação de dose por CARG/CRASH, regimes weekly e flat dose, articulação ativa de logística reversa. PGRSS dimensionado 30-50% acima do adulto.
Hospital geral com serviço de oncologia: opera adaptação clínica caso a caso, sem CGA estruturado. PGRSS subdimensiona impacto operacional do volume idoso.
Clínica oncológica ambulatorial: opera infusão + TKI oral. PGRSS limitado a Grupo A1+B+E ambulatorial sem programa formal de logística reversa.
Três erros recorrentes em PGRSS de NSCLC idoso
- Subdimensionar volume ambulatorial em serviço com >30% idosos. Mais visitas, mais suporte, mais resíduo distribuído. Contrato de coleta pode precisar de aumento de frequência.
- Não articular logística reversa de TKI oral por paciente. Taxa de devolução é alta — o resíduo doméstico precisa retornar ao Grupo B hospitalar.
- Tratar resíduo de SBRT pulmonar como Grupo D padrão. Máscara de imobilização em paciente com lesão cutânea pode ter contaminação residual.
O horizonte 2027: T-DXd em HER2-mut NSCLC e CAR-T sólido
A próxima onda inclui trastuzumabe deruxtecan em NSCLC HER2-mutado (DESTINY-Lung) com taxa de resposta ≥50% — frequentemente em idosos com perfil oligossomático, amivantamab + lazertinib em primeira linha EGFR (MARIPOSA) substituindo osimertinibe em casos selecionados, e os primeiros relatos de CAR-T anti-MUC16 e anti-DLL3 em SCLC refratário. Cada categoria nova exige revisão do PGRSS.
Para aprofundar, leia o post sobre oncogeriatria CGA CARG CRASH e o artigo sobre oncologia pulmonar avançada NSCLC, além do panorama geral de coleta de RSS oncológico. Como referência, o INCA dados de câncer e o estudo CheckMate-743 publicado no Lancet são leitura obrigatória.
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