Resíduo de quimioterapia é o mais regulado de todo o RSS. Cada gota de antineoplásico que sobra na sala de preparo ou na bolsa do paciente é classificada como Grupo B citostático — categoria que exige incineração obrigatória com câmara de pós-combustão. Errar o descarte é multa grande, risco ocupacional sério e contaminação ambiental.
O que se gera em quimioterapia
Cada sessão de QT, ambulatorial ou internada, gera:
- Bolsa/frasco vazio do antineoplásico (Grupo B citostático)
- Equipo de infusão com resíduo do fármaco (B citostático)
- EPI da equipe de preparo — luvas, máscara N95, avental, óculos (B citostático)
- Compressas e gaze contaminadas com antineoplásico (B citostático)
- Resíduo de cabine de fluxo laminar após limpeza terminal (B)
- Frasco de medicamento auxiliar — antiemético, corticoide, hidratação (B comum)
- Agulhas e perfurocortantes (Grupo E + B citostático)
Em centro oncológico com 30 sessões/dia, geram-se entre 3 e 6 kg/dia de resíduo Grupo B citostático.
O fluxo correto
1. Preparo na CFL (Cabine de Fluxo Laminar)
Toda QT injetável é preparada em CFL Classe II Tipo B2 (fluxo vertical, exaustão externa). A cabine tem coletor próprio onde vai todo o resíduo da manipulação: ponteiras, frascos vazios, gaze de limpeza.
2. Administração na sala
Bolsa entregue ao enfermeiro vai direto ao paciente. Após a infusão:
- Bolsa vazia + equipo → bombona Grupo B citostático (laranja com símbolo específico)
- EPI do enfermeiro descartado em saco específico → mesma bombona
- Gaze e curativo de punção → Grupo A1 (não B, porque o vestígio é mínimo no curativo)
- Agulha → caixa amarela com identificação de antineoplásico
3. Resíduo do paciente
Por 48-72h após a infusão, o paciente continua excretando metabólitos da QT na urina, fezes e suor. Em internação, fralda geriátrica e roupa de cama desse paciente podem entrar no fluxo de Grupo B citostático (alguns centros estendem por 7 dias para drogas de meia-vida longa).
4. Armazenamento
Bombona Grupo B citostático fica em local fresco, fechado, com identificação clara. Não pode ficar exposta ao sol nem misturada com Grupo A.
5. Coleta especializada
Transportador licenciado especificamente para Grupo B retira com MTR detalhado. Destinação obrigatória: incineração em forno com:
- Câmara de pós-combustão >1.100°C
- Filtro de retenção de particulado
- Tempo de residência mínimo de 2 segundos na câmara secundária
Não pode ir para autoclave (não destrói o antineoplásico), nem para coprocessamento (libera vapor tóxico).
A regulação
Cruza várias normas:
- RDC 222/2018 — classificação como B citostático
- NR-32 — proteção do trabalhador exposto a antineoplásico
- Portaria SVS/MS 344/1998 — quando o antineoplásico é controlado
- CONAMA 358/2005 — destinação
- CONAMA 491/2018 — emissões do incinerador
Os 3 erros mais graves
- Bolsa vazia de QT no lixo de Grupo A — vai para autoclave, antineoplásico vaporiza e contamina o equipamento + ambiente. NC crítica + risco trabalhista.
- Frasco vazio descartado na bombona comum de Grupo B (junto com hipoclorito, álcool) — mistura indevida que confunde o tratador e impede a incineração específica.
- Fralda geriátrica de paciente em QT no lixo comum — exposição da equipe de limpeza + risco de contaminação cruzada com outros resíduos.
Custo do descarte
Coleta + incineração de Grupo B citostático custa entre R$ 12 e R$ 25/kg — 3-5x mais caro que Grupo A. Para centro oncológico médio (5 kg/dia × 22 dias úteis = 110 kg/mês): R$ 1.300 a R$ 2.750/mês só de Grupo B citostático.
A Seven Resíduos faz coleta especializada de Grupo B citostático com transporte licenciado e destinação por incineração com câmara secundária — MTR detalhado e comprovante de destinação por carga.
Seu serviço de QT tem coleta licenciada específica? Fale com a Seven Resíduos.