A cirurgia cardíaca brasileira passou por consolidação técnica acelerada nos últimos 5 anos. Em 2026, há centros independentes especializados que operam protocolo completo de CABG (Coronary Artery Bypass Grafting) com revascularização do miocárdio convencional + off-pump (sem CEC) + minimamente invasiva (MIDCAB), cirurgia valvar (substituição aórtica + mitral + tricúspide com prótese mecânica ou biológica + plastia mitral conservadora), TAVI cirúrgico (Transcatheter Aortic Valve Implantation via cirurgia em sala híbrida), cirurgia robótica cardíaca (CABG robótico + plastia mitral robótica via mini-toracotomia), cirurgia da aorta (aneurisma + dissecção tipo A com Hemiarcoplasty + frozen elephant trunk), transplante cardíaco + assistência circulatória mecânica (LVAD HeartMate 3, ECMO V-A peri-operatório), e — em centros mais avançados — protocolos de medicina cirúrgica cardíaca genômica + IA preditiva. A Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular (SBCCV) atualizou em 2024 as diretrizes técnicas, e a ANVISA RDC 30/2015 regulamenta importação de robô cirúrgico.
Para o gestor que opera ou planeja um desses centros, o PGRSS tem perfil específico que diferencia da PGRSS de cardiologia intervencionista. O capítulo de CEC (Circulação Extracorpórea) soma cadeia A1 RA volumosa (oxigenador + reservatório + tubulação). A cirurgia robótica soma RAEE classe II + EndoWrist específico cardio. O LVAD soma RAEE classe II + bateria de lítio. O conjunto soma complexidade técnica.
Os cinco fluxos que dominam o inventário do centro de cirurgia cardíaca
Em uma operação de porte médio — atendendo 50 a 200 cirurgias cardíacas/mês com mistura entre CABG + valvar + aorta + transplante — o inventário tem composição característica.
| Fluxo | Grupo | Volume mensal típico |
|---|---|---|
| Material de CEC (oxigenador + reservatório + tubulação + filtro) | A1 RA volumoso + RAEE específico | 18–42 kg |
| Material de prótese valvar + tubo de aorta (Dacron + ePTFE) | A1 RA + RAEE classe II + tecnovigilância + RBIC | 3–8 kg |
| Material de cirurgia robótica cardio (EndoWrist específico) | A1 RA + RAEE classe II + tecnovigilância | 4–10 kg |
| Material de LVAD + ECMO V-A (cânulas + circuito + bomba) | A1 RA + RAEE classe II + bateria lítio | 2–6 kg |
| Material de drenos torácicos + Pleur-Evac + reservatórios | A1 RA volumoso + sangue | 8–18 kg |
A soma típica é entre 35 e 84 kg/mês de sólidos. O ponto crítico é o capítulo de CEC volumoso + LVAD bateria lítio + valva tecnovigilância.
A CEC: cadeia A1 RA volumosa específica
A peculiaridade do PGRSS de cirurgia cardíaca é a CEC (Circulação Extracorpórea). Cada cirurgia cardíaca convencional consome circuito completo de CEC — oxigenador de membrana (R$ 4.500-12.000), reservatório venoso (R$ 1.500-4.500), bomba arterial centrífuga descartável, filtro arterial, tubulação completa (5-15 metros), cânulas aórtica + venosa + cardioplegia (cristalóide ou sanguínea). Volume total de A1 RA por cirurgia: 5-12 kg.
Em centro com 50-200 cirurgias/mês, o volume mensal chega a 18-42 kg de A1 RA volumoso. Cadeia segue RDC 222/2018 art. 22 + tecnovigilância (RDC 67/2009) com termo de inutilização para tecnovigilância em caso de falha de circuito.
Como discutimos no post sobre CEC e PGRSS cirurgia cardíaca, o capítulo CEC é dedicado.
A prótese valvar: tecnovigilância + RBIC + LGPD
A prótese valvar (mecânica On-X, Carbomedics, Medtronic Open Pivot ou biológica Edwards Magna Ease, Medtronic Mosaic, St. Jude Trifecta) é dispositivo de altíssima criticidade. Custo unitário R$ 12.000-45.000. Cadeia tecnovigilância (RDC 67/2009) + RBIC (Registro Brasileiro de Implantes Cardíacos) por 15 anos + LGPD do paciente.
A boa prática inclui (a) registro nominal completo (paciente + lote + número de série + data de implante + cirurgião); (b) carta de acompanhamento anual ao paciente; (c) alerta de recall automático via fabricante; (d) descarte de prótese vencida (se ocorrer) com termo de inutilização + relatório à ANVISA.
O LVAD HeartMate 3: assistência circulatória + bateria de lítio
O LVAD (Left Ventricular Assist Device — Abbott HeartMate 3) é assistência circulatória mecânica para insuficiência cardíaca terminal — ponte para transplante ou destino terapêutico. Cadeia inclui (a) bomba implantável com vida útil 5-7 anos; (b) bateria portátil de lítio com troca diária pelo paciente; (c) controlador externo com cadeia RAEE; (d) driveline transcutâneo com cuidado de infecção contínuo.
Custo do conjunto R$ 250.000-450.000. Cadeia tecnovigilância + RBIC + LGPD ampliada. Como abordamos no post sobre LVAD e PGRSS, o capítulo é dedicado em centros terciários.
Três perfis de centro de cirurgia cardíaca
Consultório cardiológico ambulatorial. Avaliação clínica + indicação cirúrgica. Sem cirurgia in loco. Custo mensal de PGRSS entre R$ 1.500 e R$ 3.500, setup inicial de R$ 25.000 a R$ 65.000.
Centro cirúrgico cardíaco com CABG + valvar + UTI cardiológica. Sala cirúrgica com CEC + sala de hemodinâmica + UTI cardiológica 8-20 leitos, 50-200 cirurgias/mês. Custo mensal entre R$ 18.000 e R$ 40.000, setup de R$ 600.000 a R$ 1.500.000. Capítulo dedicado a CEC volumoso + valva tecnovigilância.
Centro avançado com transplante cardíaco + LVAD + cirurgia robótica + TAVI cirúrgico. Plataforma completa com transplante + LVAD HeartMate + ECMO V-A + sala híbrida + parceria com cardiologia intervencionista + ABTO. Custo mensal R$ 40.000 a R$ 95.000, setup de R$ 1.500.000 a R$ 4.500.000. Comissão multidisciplinar mensal, ART de cirurgião cardíaco habilitado em transplante + perfusionista + cardio-anestesiologista, livro RDC 67/2009 tecnovigilância + RBIC + cadeia ABTO + integração com BCP-DRP do PGRSS.
Os três erros que aparecem em fiscalização
O primeiro é o circuito de CEC descartado sem termo de inutilização para tecnovigilância em caso de falha. RDC 67/2009 + tecnovigilância obrigatórios.
O segundo é a prótese valvar descartada sem RBIC + relatório à ANVISA. Custo + criticidade exigem rastreabilidade 15 anos.
O terceiro é o LVAD HeartMate descartado sem cadeia RAEE classe II + retorno ao fabricante (Abbott). Bateria de lítio + driveline.
A cirurgia cardíaca brasileira está em fase de transformação técnica acelerada com transplante + LVAD + cirurgia robótica + TAVI cirúrgico como prioridades. Os centros que estruturam PGRSS robusto desde o início — alinhados com calendário 2026 de compliance — atravessam o crescimento sem solavanco. Para gestores que precisam alinhar com gestão paralela industrial do grupo, o portal Seven Resíduos sobre serviços completos traz a perspectiva integrada.
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