“O lixo do hospital vai todo para o incinerador, queima e some.” Frase que aparece em quase toda visita guiada de hospital. Errado. No Brasil, menos de 20% do RSS é incinerado — o resto vai para autoclave, microondas, coprocessamento ou aterro classe I, conforme o grupo.
O destino real, por grupo
A regra é definida pela RDC 222/2018 + CONAMA 358/2005:
Grupo A1 e A2 (biológico padrão e com risco aumentado)
Destino mais comum: autoclavagem ou microondas. Ambos descontaminam o resíduo termicamente, depois ele vai para aterro classe IIA ou IIB licenciado. Incinera-se Grupo A só em casos específicos.
Grupo A3 (peça anatômica)
Destino obrigatório: incineração. Peça anatômica e parte de corpo não podem ir para autoclave ou aterro. Vai para incinerador licenciado com emissão controlada pela CONAMA 491/2018.
Grupo A4 (alto risco biológico — cultura microbiológica, vacina viva, animal de pesquisa)
Destino: incineração ou autoclavagem com validação específica antes de aterro.
Grupo A5 (príon — Creutzfeldt-Jakob etc.)
Destino: incineração obrigatória com protocolo específico.
Grupo B (químico)
Depende do tipo:
- Não-citostático (antissépticos, ácidos, bases): coprocessamento em forno de cimento ou aterro classe I
- Citostático (quimioterápico): incineração obrigatória com câmara de pós-combustão
- Medicamento controlado vencido (Portaria 344): incineração com supervisão ANVISA + termo de destruição
Grupo C (radioativo)
Destino: sala de decaimento dentro do hospital até atingir o limite CNEN, depois segue como rejeito não-radioativo conforme grupo original.
Grupo D (comum/reciclável)
Destino: coleta seletiva → reciclagem (papel, plástico, vidro, metal) ou aterro classe IIA convencional. Pode representar 30-45% do volume total do hospital.
Grupo E (perfurocortante)
Destino: autoclavagem ou incineração, dependendo do tratador. Vai em caixa rígida lacrada — sempre.
Por que o mito persiste
Três motivos:
- Incineração é o tratamento mais visualmente associado a “destruir lixo”. Faz mais sentido na cabeça do leigo.
- Hospitais antigos (década de 80-90) operavam incinerador próprio para tudo. Hoje, isso é raro e caro.
- Hospital não reporta o destino real ao colaborador. Treinamento NR-32 fala da segregação, não do destino — então a equipe não sabe para onde vai cada saco.
Por que faz diferença saber
Saber o destino real do RSS muda decisão de gestão:
- Investir em coleta seletiva (Grupo D) reduz volume que vai para autoclave/incinerador e baixa o custo total
- Validar autoclave interna (alguns hospitais) economiza vs. terceirizar tudo para incinerador
- Negociar contrato por mix de grupos vs. preço único por kg
- Atender critério ESG com indicador de destinação adequada (Scope 3 da PNRS)
O custo por destino
Referência típica no Brasil:
| Tratamento | Custo (R$/kg) |
|---|---|
| Aterro classe IIA (Grupo D) | 0,30 – 0,80 |
| Autoclavagem (Grupo A1/A2) | 2,50 – 5,00 |
| Microondas (Grupo A1) | 3,00 – 6,00 |
| Coprocessamento (Grupo B não-citostático) | 4,00 – 8,00 |
| Incineração (Grupo A3, A4, A5, B citostático) | 8,00 – 25,00 |
Misturar tudo “como infectante” significa pagar incineração para o papelão — desperdício direto.
A Seven Resíduos opera com destinação adequada por grupo — autoclave, microondas, coprocessamento e incineração licenciada — e entrega comprovante separado por tipo de tratamento.
Você sabe o destino de cada grupo do seu RSS? Fale com a Seven Resíduos.