Tem um mito tranquilizador que circula em consultório de clínica geral, pediatria, cardiologia, psiquiatria: “aqui é só consulta, não fazemos procedimento, então não geramos RSS — não precisamos de PGRSS nem de coleta”. Soa coerente. E desmonta na primeira aferição de pressão com álcool, no primeiro curativo improvisado, na primeira receita de quem, sim, faz algo além de conversar.
Por que o mito parece verdade
A imagem de “só consulta” sugere uma sala sem nada perfurante, sem sangue, sem secreção. Mas consulta clínica raramente é só anamnese: afere glicemia, troca um curativo, aplica uma vacina ou injetável, faz um pequeno exame com material descartável, usa luva e gaze. Cada um desses gestos gera resíduo de saúde — pouco, mas existente. E a RDC 222/2018 não isenta quem gera pouco; ela define obrigação pela natureza do que se gera, não pela quantidade.
A pergunta certa não é “fazemos cirurgia aqui?”, e sim “geramos algum material com contato biológico, perfurante ou químico no atendimento?”.
O que uma clínica “só de consulta” costuma gerar
- Perfurocortante (Grupo E): lanceta de glicemia, agulha de vacina ou injetável eventual
- Infectante (Grupo A): algodão e gaze com sangue, curativo, abaixador com secreção
- Químico (Grupo B): sobras de certos medicamentos, alguns insumos
- Comum (Grupo D): o que não teve contato — mas isso não anula os outros
Onde o mito custa caro
Na prática, o mito vira lanceta no lixo da pia e gaze com sangue no cesto da recepção, porque “aqui não é lugar de procedimento”. É descarte irregular de Grupo E e A, com o agravante de a clínica nem ter coleta licenciada contratada — afinal, “não precisava”. Numa fiscalização, gerar pouco sem gerenciar não é atenuante; é ausência de PGRSS para uma atividade que, sim, gera RSS.
O que isso muda na prática
Volume baixo não é volume zero. Se a clínica encosta em paciente com material descartável, ela gera RSS — e isso basta para precisar de segregação, coleta licenciada e PGRSS na proporção do que gera. “Só consulta” descreve o tipo de atendimento, não a ausência de resíduo. A obrigação acompanha o gesto, não o tamanho da clínica.
A Seven Resíduos atende desde consultórios de baixa geração até hospitais com coleta licenciada e suporte de PGRSS na medida de cada operação. Veja também o que é RSS, quem é o gerador de RSS e o que é o PGRSS. A base normativa está na RDC 222 da Anvisa.
Sua clínica “só de consulta” afere, cura ou aplica algo — então onde vai esse resíduo? Fale com a Seven Resíduos.