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Compliance e Legislação 26 de maio, 2026 · 7 min de leitura

KPI A1 vs D — indicador de segregação correta no PGRSS

Como medir e melhorar segregação correta com indicador A1 sobre D — o KPI que separa clínica em compliance da que improvisa.

por Jorge Jason
Atualizado em 26 de maio, 2026
KPI A1 vs D — indicador de segregação correta no PGRSS

Em janeiro de 2026, durante o primeiro encontro nacional de Compliance Hospitalar promovido pela ABEPRO em parceria com a Anvisa, um dado da Vigilância Sanitária paulista chamou atenção dos congressistas. Em fiscalização cruzada de 142 estabelecimentos de saúde da grande São Paulo durante o segundo semestre de 2025, 62% das clínicas auditadas apresentaram problema material de segregação entre Grupo A1 (biológico) e Grupo D (comum) — geralmente luva contaminada no lixo comum, papel limpo no saco branco, ou pior, agulha encontrada em saco de doméstico. O cruzamento por porte mostrou que clínicas pequenas e médias eram as mais frequentes na lista de irregularidades, enquanto hospitais grandes tinham processo mais maduro.

A discussão técnica que se seguiu foi pragmática. Como medir segregação correta sem visitar a clínica todo dia? Como auditar isso de forma estruturada e comparável entre unidades? A resposta consensual foi a estruturação de um KPI específico — o indicador de segregação A1/D, ou simplesmente “razão A1 sobre D”. O conceito é simples mas a aplicação prática separa a clínica organizada da que improvisa.

A definição matemática do KPI A1/D

O indicador é uma razão entre o peso (kg) de RSS Grupo A1 destinado mensalmente à coletora habilitada e o peso (kg) de Grupo D enviado ao serviço urbano comum, no mesmo período.

KPI A1/D = (kg Grupo A1 / kg Grupo D) × 100

A interpretação é a seguinte. Em uma clínica com segregação correta, o KPI A1/D fica em faixa esperada por especialidade. Para clínica de dermatologia, a faixa típica é 35–55 (ou seja, 35–55 kg de A1 para cada 100 kg de D). Para clínica odontológica, a faixa é 80–120. Para hospital de pequeno porte com cirurgia, a faixa fica em 150–250. Em centro cirúrgico de grande porte, pode chegar a 300–500.

O alerta soa quando o indicador escapa da faixa esperada. Se uma dermatologia que historicamente fica em 42 cai para 18 — e o volume de procedimentos não diminuiu — o problema é segregação errada. A1 está indo para o lixo comum por engano de classificação ou por falha do funcionário que descarta. O inverso também sinaliza: KPI subindo desproporcionalmente pode indicar contaminação de Grupo D com resíduo A1, gerando custo desnecessário e — eventualmente — erro de classificação que vira passivo regulatório.

Especialidade Faixa esperada KPI A1/D Alerta abaixo de Alerta acima de
Consultório médico generalista 25–45 18 60
Dermatologia ambulatorial 35–55 25 75
Odontologia clínica geral 80–120 60 150
Clínica oftalmológica com cirurgia 60–110 45 140
Hospital pequeno porte com cirurgia 150–250 110 320
Hospital geral médio porte 200–350 150 450

A faixa esperada precisa ser calibrada por unidade individual ao longo de 6 a 12 meses de operação estável, e revisada a cada mudança de mix clínico (introdução de nova especialidade, mudança de equipe, alteração de protocolo). Como abordamos no post sobre auditoria interna em 30 itens trimestrais, o KPI faz parte da bateria mínima de indicadores trimestrais.

Como medir o KPI na prática semanal

Para uma clínica de porte médio (10–50 funcionários, 200–800 atendimentos/mês), a medição prática segue rotina simples mas estruturada.

Pesagem semanal de cada saco antes do despacho — Grupo A1 saco branco, Grupo D saco preto, em balança calibrada com classe III conforme INMETRO — registro em planilha digital com data, peso, e responsável. Pesagem manual sem registro perde validade auditável.

Consolidação mensal com cálculo do KPI por unidade ou por andar, em planilha conectada ao livro de RSS digital. A clínica que opera com livro físico precisa de consolidação manual, o que aumenta a margem de erro e atrasa a detecção de desvio.

Análise de tendência em ciclos trimestrais com a comissão multidisciplinar conforme a comissão de PGRSS estruturada com ata padrão. O comitê analisa a tendência, identifica desvios, autoriza investigação local quando o KPI escapa da faixa, e documenta no livro do PGRSS.

Comunicação interna ascendente — quando há desvio, o RT comunica ao gestor administrativo e — em casos persistentes — à diretoria. A boa prática inclui um indicador na reunião mensal de comitê executivo da clínica, mesmo que sem treinamento técnico específico do conselho.

O caso do hospital de Curitiba que reverteu o KPI em 6 meses

Em 2024, um hospital de médio porte de Curitiba detectou que seu KPI A1/D havia caído de 220 para 145 ao longo de 4 meses, sem mudança aparente no volume cirúrgico ou no mix clínico. A investigação interna mostrou que a equipe de limpeza terceirizada — recém-trocada de fornecedor — estava agrupando saco branco com saco preto na lixeira do andar térreo antes do despacho, “para economizar espaço”. O resíduo A1 ia parar no fluxo de Grupo D urbano em volume crescente.

O hospital agiu em três frentes paralelas: (a) treinamento intensivo da equipe terceirizada com presença obrigatória do RT durante 6 semanas; (b) instalação de coletora intermediária no andar térreo com identificação visual reforçada A1 versus D; (c) auditoria diária randomizada do gerente de hotelaria sobre 5 sacos por dia, com checklist de identificação correta. O custo do programa foi R$ 18.000 (treinamento + sinalização + tempo gerencial).

Em 6 meses, o KPI voltou para 215 — dentro da faixa esperada. O dado importante é que a fiscalização da Vigilância Sanitária paulista citou o caso como referência positiva em comunicado técnico estadual, e o hospital virou case em encontros do setor sobre como resolver não-conformidades em fiscalização.

Os três erros que invalidam o KPI A1/D

O primeiro é a medição sem balança calibrada, com peso estimado por experiência ou por tabela genérica. KPI sem dado pesado em balança classe III é número decorativo, não passível de auditoria.

O segundo é a comparação com faixa de outra clínica sem calibração local. Cada estabelecimento tem mix próprio, e a faixa esperada precisa ser construída com 6–12 meses de medição estável. Importar faixa de literatura ou de colega gera falso positivo ou falso negativo.

O terceiro é a ausência de plano de ação quando o KPI escapa da faixa. Indicador medido sem ação corretiva é apenas tela. A boa prática estrutura ações em três níveis: leve (treinamento pontual), médio (auditoria intensificada), grave (revisão completa do procedimento operacional padrão).

Três perfis de implementação do KPI A1/D

Consultório individual ou MEI. Medição mensal manual em caderno físico, balança digital comum 30 kg. Investimento de R$ 200 a R$ 600 em balança + caderno padrão, sem custo adicional de software. Faixa calibrada após 6 meses de operação.

Clínica média (5–25 funcionários). Medição semanal com planilha digital, balança comercial classe III calibrada anualmente, integração com livro RSS digital. Investimento de R$ 3.000 a R$ 9.000 no setup, R$ 800–2.500/ano em manutenção e calibração. Comissão trimestral com revisão do KPI.

Hospital ou rede multi-unidade. Medição diária com balança em cada andar, software corporativo de gestão RSS com dashboard de KPI por unidade, integração com indicadores ESG via GRI 306. Investimento de R$ 30.000 a R$ 200.000 no setup, R$ 8.000–35.000/ano em manutenção. Comitê executivo mensal com painel comparativo entre unidades.

A medição sistemática do KPI A1/D não é luxo gerencial. É instrumento técnico que separa a clínica que tem PGRSS efetivo da que apenas tem PGRSS no papel. Para gestores que precisam estruturar painel de indicadores integrado a sistema de gestão paralela industrial do grupo (eventual unidade fabril), o portal Seven Resíduos sobre serviços completos traz a perspectiva consolidada de governança ambiental.

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Tags #Indicador #KPI #rdc 222 #Segregação

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