A ginecologia benigna avançada de 2026 reorganizou o tratamento de endometriose, miomas uterinos e sangramento uterino anormal em torno de antagonistas orais do receptor de GnRH e progestagênios de nova geração. O dienogeste (Visanne) consolidou-se como progestagênio de primeira linha para endometriose moderada-grave, com perfil de tolerância superior aos análogos clássicos. Os antagonistas orais do GnRH — elagolix (Orilissa) para endometriose dolorosa e mioma sintomático, relugolix (Myfembree) combinado com estradiol + acetato de noretisterona em comprimido único para mioma uterino, e linzagolix (Yselty) com dose ajustável — abriram alternativa à supressão profunda dos agonistas GnRH clássicos (leuprolide, goserelin) que causavam menopausa química com perda óssea.
O ulipristal acetato (Esmya) foi retirado do mercado europeu em 2020 após sinais de hepatotoxicidade idiossincrática, mas mantém uso restrito em contracepção de emergência (EllaOne, 30 mg). Em contracepção de longa duração, o SIU Mirena (52 mg levonorgestrel/5 anos), SIU Kyleena (19,5 mg/5 anos) e SIU Jaydess (13,5 mg/3 anos) dominam o LARC (Long-Acting Reversible Contraception). O anel vaginal Nuvaring (etonogestrel + etinilestradiol, 3 semanas), o implante subdérmico Implanon NXT (etonogestrel, 3 anos) e os AVCO orais combinados completam o arsenal.
E o ponto que liga a coleta de resíduos hospitalares: cada categoria — oral, intrauterino, subdérmico, vaginal — gera fluxo PGRSS distinto no consultório ginecológico, na sala de procedimento e no descarte domiciliar com logística reversa hospitalar.
SIU Mirena e implante subdérmico: dois dispositivos críticos do PGRSS ginecológico
O SIU de levonorgestrel (Mirena, Kyleena, Jaydess) é dispositivo médico implantável com rastreabilidade individual obrigatória (RDC 50/2002 + Farmacovigilância ANVISA). A inserção e remoção em consultório gera resíduo de aplicador descartável, fio de náilon cortado, luvas e EPI, e — na remoção — dispositivo usado contendo hormônio residual (Grupo B medicamento + E perfurocortante). O fluxo de descarte exige coletor específico, identificação do lote e cruzamento com prontuário da paciente.
O implante subdérmico Implanon NXT segue lógica similar: aplicador descartável, bastão de 4 cm contendo 68 mg de etonogestrel ao final dos 3 anos, EPI da inserção, gaze e curativo. Descarte como Grupo B medicamento + E perfurocortante com rastreabilidade por paciente.
Tabela: terapias ginecológicas avançadas 2026 e classificação PGRSS
| Estratégia | Indicação | Resíduo gerado | Classificação RDC 222/2018 |
|---|---|---|---|
| Dienogeste (Visanne) | Endometriose dolorosa | Comprimidos vencidos/partidos | B (medicamento) |
| Elagolix (Orilissa) | Endometriose / mioma | Comprimidos vencidos/partidos | B (medicamento) |
| Relugolix + E2 + NETA (Myfembree) | Mioma sintomático | Comprimidos vencidos/partidos | B (medicamento) |
| Linzagolix (Yselty) | Mioma com ajuste de dose | Comprimidos vencidos/partidos | B (medicamento) |
| Leuprolide / Goserelin (agonista GnRH) | Endometriose / pré-cirurgia | Frasco SC + agulha + EPI | A1 + B + E |
| SIU Mirena / Kyleena / Jaydess | LARC + endometriose | Aplicador + dispositivo + EPI | A1 + B + E + rastreio |
| Implanon NXT | LARC subdérmico | Aplicador + bastão + curativo | A1 + B + E + rastreio |
| Anel Nuvaring | Contracepção mensal | Anel + embalagem | B + D + logística reversa |
| Histeroscopia diagnóstica + biópsia endometrial | Sangramento anormal | Pipelle + tecido | A1 + E |
| Ablação endometrial (NovaSure, Minerva) | SUA refratário | Cateter ablativo + tecido | A1 + E + D |
A leitura cruzada mostra que o serviço ginecológico opera, simultaneamente, terapia oral (B isolado), injetável SC mensal/trimestral (A1+B+E), dispositivo implantável com rastreabilidade (A1+B+E + RDC 50) e procedimento ambulatorial com peça anatômica (A1+E) — quatro categorias na mesma sala de consulta.
A logística reversa ginecológica como ponto operacional crítico
A paciente em uso de pílula oral ou anel vaginal descarta frequentemente blisters e anéis no lixo doméstico — passivo difuso de hormônio sintético que atinge cursos d’água via esgoto sanitário. A indústria farmacêutica e operadoras brasileiras começaram, em 2024-2026, programas de logística reversa de hormônios contraceptivos com farmácias parceiras — Drogasil, Pague Menos, Raia, Pacheco — em parceria com fabricantes (Bayer, Organon, Pfizer, EMS, Eurofarma). Hospital que orienta a paciente para devolução em farmácia parceira reduz o passivo difuso e ganha pontos em score ESG.
A Seven Resíduos atua nessa frente com coleta especializada de resíduos farmacêuticos e medicinais calibrada para serviços ginecológicos ambulatoriais e clínicas de saúde da mulher.
Três perfis: como diferentes serviços absorvem o algoritmo 2026
Centro de saúde da mulher de referência: opera todas as classes — oral, injetável, LARC, ablação. Tem programa de logística reversa de hormônios estabelecido com farmácia parceira. PGRSS calibrado para fluxo ambulatorial intenso.
Consultório ginecológico privado de médio porte: opera prescrição + inserção de SIU/implante + procedimento ambulatorial. PGRSS específico para Grupo A1+B+E com rastreabilidade por paciente.
Hospital geral com pronto-atendimento ginecológico: opera contracepção de emergência, inserção pós-aborto/pós-parto. PGRSS cobre Grupo A1+B+E em volume menor.
Três erros recorrentes em PGRSS ginecológico
- Tratar SIU removido como dispositivo descartável padrão. O SIU contém hormônio residual ao fim dos 5 anos — Grupo B medicamento + E perfurocortante com rastreabilidade.
- Não rastrear lote de Implanon NXT por paciente. A Farmacovigilância exige rastreabilidade em caso de evento adverso ou migração do bastão.
- Confundir aplicador de SIU com Grupo E comum. O aplicador é dispositivo descartável com componente plástico + metálico + contaminação biológica residual = Grupo A1+E com identificação por paciente.
O horizonte 2027: nestorone-ferring, IUS hormonal de nova geração e neoadjuvante endometriose
A próxima onda inclui nestorone + etinilestradiol anel vaginal anual (Annovera), IUS levonorgestrel com vida útil 8 anos em fase III, e anti-GnRH neoadjuvante em endometriose profunda pré-cirurgia. Cada categoria nova muda o fluxo PGRSS ambulatorial.
Para aprofundar, leia o post sobre ginecologia oncológica e PARP e o artigo sobre endocrinologia diabetes avançada, além do panorama geral de coleta de RSS hospitalar. Como referência, a RDC 222/2018 da ANVISA e o protocolo FIGO endometriose são leitura obrigatória.
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