A nutrologia tem dois perfis muito distintos no Brasil. O nutrólogo “ambulatorial puro” trabalha com avaliação metabólica, prescrição alimentar, manejo de obesidade, suplementação oral — sem aplicar agulha nem soro. Já o nutrólogo intervencionista ou em serviço hospitalar/ambulatorial avançado aplica soroterapia (vitamina injetável, NAD+, ozonioterapia em casos específicos), passa sondas nasoenterais, supervisiona NPT (Nutrição Parenteral Total) e atende paciente desnutrido grave.
Os dois perfis têm regras de RSS muito diferentes sob a RDC 222/2018.
Nutrologia ambulatorial pura (só prescrição): não gera RSS
- Avaliação clínica, antropometria, bioimpedância.
- Prescrição alimentar e suplementação oral.
- Acompanhamento metabólico (anamnese + exames laboratoriais externos).
- Educação alimentar e comportamental.
→ Resíduo: papel, descartável simples (cone do bioimpedância), EPI ocasional sem contaminação. Lixo comum. PGRSS dispensável.
Nutrologia intervencionista: gera RSS de baixo a médio volume
| Procedimento | Resíduo gerado | Grupo |
|---|---|---|
| Soroterapia / vitamina injetável (B12, complexo B, NAD+, glutationa) | Agulha 22-25G + ampola/frasco + algodão | E + A1 |
| Aplicação de injeção IM (B12, T4, hormônios, lipotrópicos) | Agulha + frasco + EPI | E + A1 |
| Sonda nasoenteral (passagem ambulatorial) | Sonda, gel lubrificante, EPI | A1 |
| NPT (Nutrição Parenteral Total) — supervisão hospitalar/domicilar | Bolsa de NPT, equipo, conexão CVC | A1 (alto volume se NPT crônica) |
| Ozonioterapia (controversa, alguns nutrólogos aplicam) | Agulha + cateter de ozônio + EPI | E + A1 |
Soroterapia injetável: o procedimento mais comum
A soroterapia ambulatorial — paciente vai ao consultório receber 250-500 ml de soro com vitaminas (B12, complexo B, magnésio, glutationa, NAD+, mistura “anti-aging”) — é hoje uma das atividades mais comuns no nutrólogo intervencionista. Cada sessão gera:
- Agulha de cateter periférico → Grupo E (caixa amarela).
- Equipo + bolsa de soro → Grupo A1 (saco branco).
- Frasco de medicação injetável → Grupo A1 (frasco vazio com vestígio).
- Algodão, gaze, fita → Grupo A1.
- EPI da equipe → Grupo A1.
Volume típico por sessão: 0,3-0,5 kg entre A1 + E. Clínica com 30-50 sessões/mês gera 10-25 kg/mês.
Sonda nasoenteral em consultório
Passagem de sonda nasoenteral ambulatorial (em paciente com indicação para alimentação enteral suplementar) → resíduo:
- Sonda extra/erro de passagem → A1 (contaminada com secreção).
- Gel de lubrificação → resíduo de embalagem D + sobra A1.
- Lenço, papel, EPI → A1.
Volume baixo: 0,2-0,5 kg por procedimento. Clínica com 5-10 sondas/mês gera 1-3 kg/mês.
NPT (Nutrição Parenteral Total) — supervisão ambulatorial ou domiciliar
Paciente com NPT crônica (síndrome do intestino curto, falha intestinal) supervisionado pelo nutrólogo gera resíduo de alto volume:
- Bolsa de NPT trocada diariamente (1-2 L) → A1 com aminoácidos, glicose, lipídio.
- Equipo + conexão de cateter venoso central → A1.
- Curativo do CVC (Hickman, Port, PICC) trocado semanalmente → A1.
Volume típico para 1 paciente NPT crônica: 5-10 kg/mês de A1. Clínica com 5-10 pacientes em programa NPT: 30-80 kg/mês.
Volume e custo médio
Nutrologia intervencionista média (consultório com soroterapia + ocasional sonda + IM regular):
- Volume: 8-25 kg/mês.
- Coleta especial mensal: R$200-450/mês.
- PGRSS: R$2.500-5.000 inicial + R$500-1.200 anual.
Nutrologia em programa NPT ambulatorial/domiciliar:
- Volume: 30-100 kg/mês.
- Coleta semanal: R$700-1.800/mês.
- PGRSS especializado (com protocolos de domicílio): R$5.000-12.000 inicial.
A regulamentação CFM sobre soroterapia
Resolução CFM 2.234/2019 e pareceres mais recentes regulam o uso de soroterapia injetável e ozonioterapia. Algumas práticas têm restrições éticas (ozonioterapia em específico), mas o descarte de RSS é o mesmo independente do enquadramento ético — agulha, equipo, EPI vão para fluxo normal.
PGRSS de nutrologia precisa estar alinhado com o registro do procedimento no CFM. Se o procedimento aparece no PGRSS mas o nutrólogo não tem registro adequado, há fiscalização cruzada.
Erros comuns
- Tratar agulha de B12 como “lixo de baixo risco”. É Grupo E sempre. Caixa amarela.
- Misturar resíduo de NPT com A1 ambulatorial sem segregação por paciente em programa domiciliar.
- Não emitir MTR-RSS por consultório com 3-5 sessões de soroterapia/dia. Volume mínimo? Não existe — qualquer Grupo E obriga rastreabilidade.
- Ignorar EPI da equipe. Avental, luva, máscara da técnica de enfermagem que aplicou o soro são A1.
Conclusão
Nutrologia ambulatorial pura não gera RSS e dispensa PGRSS. Nutrologia com soroterapia, IM regular, sonda ou NPT gera RSS sob a RDC 222 com volume e custo proporcionais ao perfil. Cuidado adicional com programa NPT domiciliar (alto volume + protocolos específicos).
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