Cirurgia plástica gera resíduo biológico humano em volume relevante — pele excisada, gordura de lipoaspiração, mama removida (mastopexia, mamoplastia redutora), tecido excisado de blefaroplastia, abdômen, coxa. Tudo isso é Grupo A3 (peça anatômica) com destinação obrigatória por incineração. Quem trata como “Grupo A comum” comete infração regulatória + ambiental.
O que se gera em cirurgia plástica
Tecido excisado (Grupo A3)
- Pele removida em abdominoplastia, lifting facial, blefaroplastia
- Gordura de lipoaspiração (volume alto em alguns procedimentos)
- Mama parcial em mastopexia, mamoplastia redutora
- Mama implantada com complicação quando retirada (próteses com tecido fibrótico)
- Tecido cicatricial revisado em pós-operatório
- Cartilagem de rinoplastia
- Osso de mentoplastia/redução de protuberância óssea
Todos: Grupo A3 = peça anatômica = incineração obrigatória (CONAMA 491/2018).
Material cirúrgico (Grupo A1 + E)
- Gaze, compressa, EPI, campos cirúrgicos: Grupo A1
- Bisturi descartável, fios de sutura cortantes: Grupo E
- Cassete de aspiração (lipoaspiração): Grupo A1 com fluido tecidual
Prótese ou implante descartado (Grupo B + variável)
- Implante mamário descartado (defeito de fabricação, ruptura, paciente trocando): geralmente devolução ao fabricante (logística reversa)
- Implante facial (silicone, PMMA): mesmo fluxo
- Suturas absorvíveis vencidas: Grupo D quando seco
Resíduo químico (Grupo B)
- Lidocaína/anestésico local sobra: bombona Grupo B
- Tumescência (solução de Klein com epinefrina): Grupo B em volume relevante
- Antibiótico residual intraoperatório: Grupo B
- Antissépticos descartados: Grupo B em volume
O fluxo do tecido excisado
Para Grupo A3 em cirurgia plástica:
1. Coleta na sala
Tecido removido → frasco rígido específico com formol diluído (10%) ou solução fixadora.
2. Identificação obrigatória
Etiqueta com:
- Paciente (nome ou código)
- Cirurgião responsável
- Data e tipo de procedimento
- Tipo de tecido (pele, gordura, mama, etc.)
- Peso aproximado
3. Análise anatomopatológica (quando indicada)
Tecido suspeito (nódulo, sinal de câncer) vai para anatomia patológica primeiro, depois descarte como A3.
Tecido obviamente sadio (gordura de lipoaspiração rotineira, pele de abdominoplastia comum) pode ir direto para descarte A3 sem patologia obrigatória.
4. Refrigeração temporária
4-8°C quando o intervalo até a coleta externa é >24h.
5. Coleta especializada
Transportador licenciado Grupo A3 com MTR identificado. Destinação: incineração obrigatória.
O caso específico da lipoaspiração
Lipoaspiração gera gordura humana em volume alto — 1-7 litros em procedimentos comuns, até 10-15 litros em casos extensos.
Fluxo
- Cassete de aspiração com gordura: vai inteiro como Grupo A3
- Não esvaziar a gordura na pia ou ralo: contamina rede + irregularidade ambiental + risco biológico
- Frasco rígido com formol para conservação se intervalo de coleta >24h
Caso especial: enxerto de gordura
Lipoaspiração + lipoenxertia no mesmo paciente (face, glúteo, mama):
- Gordura aproveitada vai para o paciente — não é resíduo
- Gordura excedente descartada: Grupo A3
Caso especial: pesquisa científica
Tecido aproveitado para pesquisa com aprovação CEP/Conep: protocolo específico, não é descarte comum.
Volume típico
Centro cirúrgico de plástica de médio porte (10-30 cirurgias/mês):
- Grupo A3: 5-25 kg/cirurgia (variável por procedimento)
- Lipoaspiração extensa: até 10 kg de Grupo A3 só de gordura
- Abdominoplastia: 1-3 kg de pele + gordura
- Mamoplastia redutora: 200-800g de tecido mamário
- Volume mensal total: 50-300 kg de Grupo A3
Grupo A1, B, E: similar a centro cirúrgico comum.
Os 3 erros mais autuados
1. Gordura de lipoaspiração na pia ou ralo
Erro grave — contamina rede + irregularidade ambiental (CONAMA 430) + risco biológico.
2. Pele excisada no Grupo A1 comum (saco branco)
Pele é peça anatômica = A3 = frasco rígido + incineração obrigatória. Saco branco vai para autoclavagem (incorreto para peça anatômica).
3. Implante mamário descartado no lixo comum
Implante com ou sem ruptura: devolução ao fabricante OU Grupo B. Nunca lixo comum.
Casos especiais
Cirurgia plástica reparadora (pós-trauma, pós-câncer)
Mesmo fluxo. Tecido removido = A3. Documentação adicional quando há reconstrução pós-mastectomia (vínculo com oncologia).
Cirurgia transgênero (mastectomia, faloplastia, vaginoplastia)
Mesmo fluxo. Tecido removido = A3.
Cirurgia plástica veterinária (correção em pet)
Estabelecimento veterinário. Tecido animal removido = A4 (não A3 humana).
A Seven Resíduos atende centros de cirurgia plástica com coleta especializada de Grupo A3 + incineração licenciada + MTR identificado por procedimento.
Seu centro de plástica tem fluxo correto para tecido excisado? Fale com a Seven Resíduos.