Gesso e tala ortopédica são itens frequentemente mal descartados em hospital e PA. Equipe acha que gesso “é só pedra” — joga no lixo comum. Tala plástica “é só plástico” — joga no Grupo D reciclável. Erro nos dois casos. Cada um tem regra própria que depende de ter ou não tido contato com fluido biológico.
A regra geral
Material ortopédico tem 2 fluxos possíveis, dependendo do uso:
Sem contato com fluido biológico (intacto, limpo)
- Gesso seco intacto (descarte por defeito de fabricação, peça que sobrou) — Grupo D comum
- Tala plástica intacta sem uso — Grupo D reciclável quando aplicável
- Embalagens primárias (sacos, fitas) — Grupo D
Com contato com fluido biológico (usado, contaminado)
- Gesso usado retirado de paciente com lesão sangrante — Grupo A1 (saco branco leitoso)
- Tala usada com secreção (ferida exposta, drenagem, secreção purulenta) — Grupo A1
- Gesso com odor fétido (sinal de infecção subjacente) — Grupo A1 com cuidado adicional
- Material de imobilização de paciente em precaução de contato — Grupo A2 (risco aumentado)
O fluxo no PA / consultório de ortopedia
Aplicação inicial (sem retirada)
Quando o paciente entra para colocar gesso/tala pela primeira vez:
- Embalagens vão para Grupo D
- Sobra do material (cordas, ataduras de embalagem) — Grupo D
- Algodão ortopédico/malha que tocou pele sem ferida — Grupo D (alguns hospitais classificam como A1 por precaução)
Retirada (após cicatrização ou troca)
Quando o gesso é serrado e retirado:
- Pó de gesso gerado na serragem — Grupo D (não tem fluido biológico)
- Algodão/malha que envolveu pele íntegra — Grupo D
- Algodão/malha que cobriu ferida — Grupo A1
- Lâminas da serra descartáveis — Grupo E (caixa amarela)
Casos com ferida exposta
Quando o gesso/tala foi colocado sobre ferida aberta (fratura exposta, pós-cirurgia ortopédica com pontos):
- Todo o material vai em Grupo A1
- Gases internas com sangue/secreção — Grupo A1
- Drenos descartados — Grupo A1
- Suturas removidas — Grupo E (perfurocortante)
O erro mais comum no PA
Equipe descarta todo material ortopédico no Grupo D “porque é gesso/plástico”. Resultado:
- Gesso contaminado com sangue vai parar em aterro classe II
- Risco de contato com pessoal de coleta seletiva
- NC RDC 222 em fiscalização
- Multa R$ 5-30 mil por NC + risco trabalhista
A regra prática
Antes de descartar, perguntar:
- O material tocou ferida, secreção ou sangue? Sim → Grupo A1
- O material tocou apenas pele íntegra ou foi descartado limpo? → Grupo D
- Tem perfurocortante junto? → caixa amarela Grupo E
Volume típico
Centro ortopédico de médio porte (50 atendimentos/dia + 5-10 cirurgias):
- Gesso/tala intacto (Grupo D): 10-25 kg/dia
- Gesso/tala usado contaminado (Grupo A1): 5-15 kg/dia
- Pó de gesso da serragem (Grupo D): 2-5 kg/dia
- Lâminas de serra (Grupo E): 0,2-0,5 kg/dia
Casos especiais
Gesso ortopédico com molde de impressão dentária
Quando há uso em odontologia (gesso de modelo para prótese): pode conter saliva do paciente — vai em Grupo A1.
Tala pneumática reutilizável
Tala inflável que é higienizada e reutilizada não é resíduo. Quando finalmente descartada por desgaste, vira Grupo D.
Bota ortopédica reutilizável
Mesmo padrão: enquanto está em uso e higienizada, não é resíduo. Ao descartar por desgaste/quebra, Grupo D.
Gesso de pesquisa científica (modelo anatômico)
Sem contato biológico, Grupo D. Com material biológico para estudo (impregnação), pode virar Grupo A.
Coleta correta
Para ortopedia integrada a hospital:
- Saco preto Grupo D em sala de gesso (para material limpo)
- Saco branco Grupo A1 em sala de procedimentos com ferida
- Caixa amarela Grupo E para lâminas e ferramentas cortantes
- Carrinho separado para transporte interno (não misturar com fluxo de outras especialidades)
A Seven Resíduos atende centros ortopédicos com coleta especializada de Grupo A1 + Grupo D + Grupo E.
Sua ortopedia tem fluxo correto para gesso usado? Fale com a Seven Resíduos.