A pneumologia avançada de 2026 reorganizou o tratamento de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e asma grave em torno de triplo terapia inalatória e biológicos sistêmicos. Em DPOC moderado a grave com história de exacerbação, a combinação LABA + LAMA + ICS em único inalador de tripla terapia consolidou-se como padrão: Trelegy Ellipta (vilanterol + umeclidínio + furoato de fluticasona, GSK), Breztri Aerosphere (formoterol + glicopirrônio + budesonida, AstraZeneca) e Trimbow (formoterol + glicopirrônio + beclometasona, Chiesi) competem nesse espaço. O revefenacin (Yupelri) ampliou o arsenal LAMA nebulizado e o roflumilast (Daxas) mantém espaço em DPOC com bronquite crônica e VEF1 baixo.
Em asma grave eosinofílica (fenótipo T2-high), os biológicos anti-IL-5 — mepolizumabe (Nucala), reslizumabe (Cinqair), benralizumabe (Fasenra) — combinados com anti-IgE omalizumabe (Xolair) e anti-IL-4Rα dupilumab (Dupixent) dominam a frente de imunoterapia para pacientes que persistem sintomáticos apesar de ICS-LABA dose máxima. A grande adição recente é o tezepelumabe (Tezspire), anti-TSLP (thymic stromal lymphopoietin), com mecanismo upstream que atende tanto fenótipo T2-high quanto T2-low — estudo NAVIGATOR e ENHANCE consolidaram a posição em asma grave não controlada.
Cada categoria reescreve o plano de gerenciamento de resíduos de serviços de saúde (PGRSS) do serviço de pneumologia.
Inaladores e biológicos: dois fluxos distintos do PGRSS pneumológico
O inalador descartável de triplo terapia (Trelegy Ellipta, Breztri Aerosphere) gera resíduo de dispositivo descartável com propelente HFC (hidrofluorocarbono em pMDI) ou pó seco em cápsula (DPI). O propelente HFC tem alto GWP (Global Warming Potential) — entre 1.300 e 3.350 vezes o CO₂ — e a indústria farmacêutica está migrando para propelentes de baixo GWP (HFA-152a, HFC-32) sob pressão regulatória da União Europeia. Para o hospital, o descarte do inalador vazio é Grupo D (não contaminado) com logística reversa do fabricante (programa “RES.PIRA-R” da AstraZeneca, programa GSK Patient Direct).
Os biológicos anti-IL-5, anti-IgE, anti-IL-4Rα e anti-TSLP são administrados em injeção SC ou IV com canetas pré-cheias ou frascos-ampola. Cada aplicação gera resíduo de agulha ou caneta SC (Grupo E perfurocortante), frasco residual ou cartucho com biológico residual (Grupo A1+B) e EPI específico.
Tabela: terapias pneumológicas 2026 e classificação PGRSS
| Estratégia | Indicação / Estudo-pivô | Resíduo gerado | Classificação RDC 222/2018 |
|---|---|---|---|
| Trelegy / Breztri / Trimbow (LABA+LAMA+ICS) | DPOC moderado-grave | Inalador descartável + cápsula | D + logística reversa fabricante |
| Revefenacin (Yupelri) | DPOC nebulizado | Ampola + nebulizador | A1 (saliva) + D |
| Roflumilast (Daxas) | DPOC bronquite crônica VEF1 baixo | Comprimidos vencidos/partidos | B (medicamento) |
| Mepolizumabe (Nucala) / Reslizumabe / Benralizumabe (Fasenra) | Asma eosinofílica SC | Caneta SC + agulha + EPI | A1 + B + E |
| Omalizumabe (Xolair) | Asma IgE alta SC | Caneta SC + agulha + EPI | A1 + B + E |
| Dupilumab (Dupixent) | Asma T2-high + dermatite atópica + EoE | Caneta SC + agulha + EPI | A1 + B + E |
| Tezepelumabe (Tezspire) | Asma grave T2-high e T2-low | Caneta SC + agulha + EPI | A1 + B + E |
A leitura cruzada da tabela mostra que o serviço pneumológico opera, simultaneamente, dispositivo inalatório (D + logística reversa), terapia oral (B) e biológico injetável SC (A1+B+E) — três fluxos com perfis muito diferentes e impacto ESG distinto (propelente HFC alto GWP do inalador é vetor relevante de Scope 3).
A logística reversa do inalador como ponto crítico ambiental
A indústria farmacêutica e operadoras brasileiras de saúde começaram a operar programas de logística reversa de inaladores após pressão regulatória ambiental e ESG. Hospital que direciona o paciente DPOC ou asmático para entrega do inalador vazio em farmácia hospitalar ou farmácia comunitária parceira reduz o passivo ambiental difuso e ganha pontos em score ESG (pilar Environmental). Sem essa orientação, o paciente descarta o inalador no lixo doméstico — e o propelente HFC alto GWP entra na atmosfera ao longo de meses a anos.
Para o serviço que estrutura essa frente, a Seven Resíduos atua na interface entre pneumologia avançada e PGRSS auditável, com coleta especializada para resíduos hospitalares e logística reversa calibrada para serviços que rodam triplo terapia, biológicos anti-IL-5 e anti-TSLP em escala.
Três perfis: como diferentes serviços absorvem o algoritmo 2026
Centro pneumológico de referência (mais de 200 asma grave/ano + DPOC): opera todas as classes — triplo terapia, biológicos. Tem pneumologista, alergista, programa de logística reversa de inalador estabelecido.
Hospital geral com serviço de pneumologia (50-150 asma grave/ano): opera triplo terapia e biológicos. Adota logística reversa quando demanda pacientes orientados.
Clínica pneumológica ambulatorial: opera prescrição de inalador e aplicação de biológico SC. PGRSS limitado a Grupo A1+B+E ambulatorial com programa de logística reversa de inalador.
Três erros recorrentes em PGRSS pneumológico
- Não orientar paciente sobre logística reversa de inalador. O passivo ambiental difuso é grande e a oportunidade ESG é desperdiçada.
- Tratar caneta SC de dupilumab vencida como medicamento oral comum. Biológico SC é Grupo A1+B+E com fluxo específico.
- Confundir nebulizador descartável domiciliar com Grupo E hospitalar. Em ambulatório, o nebulizador exige caracterização específica e descarte como Grupo A1 (saliva) + D (plástico).
O horizonte 2027: inaladores HFC-low, depemokimabe e itepekimab
A próxima onda inclui inaladores com propelente HFC-152a (baixo GWP) substituindo HFA-134a, depemokimabe anti-IL-5 semestral (ultra-long-acting), itepekimab anti-IL-33 em fase III para DPOC e astegolimab anti-ST2 em fase II. Cada categoria nova exige revisão do PGRSS antes do primeiro paciente.
Para aprofundar, leia o post sobre oncologia torácica NSCLC e o artigo sobre cardiologia avançada, além do panorama geral de PGRSS hospitalar. Como referência, a RDC 222/2018 da ANVISA e o estudo NAVIGATOR publicado no NEJM são leitura obrigatória.
Pronto para alinhar seu PGRSS à pneumologia avançada de 2026 com logística reversa? Fale com a Seven Resíduos e estruture um plano.