A medicina hiperbárica brasileira passou por consolidação técnica acelerada nos últimos 5 anos. Em 2026, há centros independentes especializados que operam protocolo HBOT (Hyperbaric Oxygen Therapy) com câmara monoplace ou multiplace para cicatrização de ferida crônica (pé diabético, úlcera venosa, lesão actínica pós-radioterapia), tratamento de doença descompressiva (mergulhadores), embolia gasosa, intoxicação por monóxido de carbono, osteomielite refratária, surdez súbita e — em centros mais avançados — protocolos integrados com cirurgia plástica (retalho comprometido) e oncologia (mucosite pós-radio). A Sociedade Brasileira de Medicina Hiperbárica atualizou em 2024 as diretrizes técnicas, e a Resolução CFM 1.457/1995 regulamenta o exercício da especialidade.
Para o gestor que opera ou planeja um desses centros, o PGRSS tem perfil específico que diferencia da PGRSS de cirurgia geral ambulatorial. A câmara HBOT é equipamento pressurizado complexo (RAEE classe II) com vida útil 15-25 anos, exige manutenção semestral certificada, e gera resíduo específico de cabine + sistema de oxigênio puro. O capítulo de cicatrização de ferida crônica soma volume A1 RA elevado. O conjunto soma complexidade técnica.
Os cinco fluxos que dominam o inventário do centro hiperbárico
Em uma operação de porte médio — atendendo 800 a 2.000 sessões/mês com mistura entre HBOT cicatrização + descompressão + indicação ad hoc — o inventário tem composição característica.
| Fluxo | Grupo | Volume mensal típico |
|---|---|---|
| Material de curativo de ferida crônica (pré-HBOT) | A1 RA + B (antimicrobianos) | 8–22 kg |
| Material descartável da cabine (touca, suporte) | A1 baixa | 3–8 kg |
| Filtro de oxigênio + mangueira (manutenção) | RAEE específico + B | 1,5–4 kg |
| Material de monitorização paciente (eletrodos, oxímetro) | A1 RA + RAEE pequeno | 2–5 kg |
| EPI de equipe (luva, óculos, jaleco descartável) | A1 baixa | 1,5–4 kg |
A soma típica é entre 16 e 43 kg/mês de sólidos. O ponto crítico é o capítulo de A1 RA + RAEE específico de cabine HBOT.
A cabine HBOT: RAEE classe II com cadeia dedicada
A câmara hiperbárica monoplace ou multiplace é equipamento médico de alta complexidade — pressurização 1,5-3 ATA com oxigênio puro, válvulas certificadas, sistema de comunicação interna, intercom para emergência, sistema de incêndio classe B (extintor de água nebulizada). A vida útil é de 15-25 anos, mas componentes específicos (selo de pressão, válvula de oxigênio, monitor de O2 ambiente) são substituídos a cada 6-24 meses.
O descarte segue Lei 12.305/2010 (PNRS) com cadeia RAEE classe II — fabricante (Hipertec, Sechrist, Perry Baromedical) obrigado a logística reversa. Como discutimos no post sobre RAEE de equipamento médico de alta complexidade, a cadeia RAEE classe II tem rigor regulatório superior a RAEE comum.
A cicatrização de ferida crônica: o capítulo A1 RA volumoso
A maioria das sessões HBOT é para cicatrização de ferida crônica — pé diabético (40-60% do volume), úlcera venosa, lesão actínica pós-radioterapia, ferida cirúrgica não-cicatrizada. Cada paciente faz protocolo de 20-40 sessões em 4-8 semanas, e a cada sessão troca-se o curativo (compressa, gaze, micropore, antimicrobiano tópico, hidrocoloide).
O volume mensal de A1 RA chega a 8-22 kg em centro com 800-2.000 sessões/mês. A cadeia segue RDC 222/2018 art. 22 — descarte como A1 RA com saco branco leitoso + compactação 2/3 + manifesto MTR.
O risco de incêndio: o protocolo singular da hiperbárica
A peculiaridade do PGRSS hiperbárico é o risco de incêndio dentro da cabine pressurizada com oxigênio puro. Material têxtil sintético (poliéster, nylon) pode incendiar com faísca mínima em ambiente de O2 enriquecido. Por isso, o paciente entra na cabine com vestimenta 100% algodão + sem produto à base de petróleo (cremes, vaselina, gel) + sem celular ou eletrônico.
O EPI da equipe (jaleco descartável, touca, máscara) deve ser específico anti-estática + 100% algodão ou polipropileno certificado para ambiente HBOT. O resíduo gerado tem cadeia A1 baixa especial — não pode ser misturado com EPI sintético comum.
Três perfis de centro hiperbárico
Centro hiperbárico monoplace (1 câmara individual). 200-600 sessões/mês, equipe pequena (médico hiperbarista + técnico). Custo mensal de PGRSS entre R$ 1.500 e R$ 3.500, setup inicial de R$ 25.000 a R$ 65.000.
Centro hiperbárico multiplace (1-2 câmaras de 4-12 lugares). 800-2.000 sessões/mês, equipe multidisciplinar (médico hiperbarista + enfermagem + técnico de pressão). Custo mensal entre R$ 4.500 e R$ 11.000, setup de R$ 80.000 a R$ 220.000. Capítulo dedicado a A1 RA de cicatrização + RAEE classe II + EPI anti-estática.
Centro hiperbárico avançado com integração cirurgia + oncologia. Plataforma terapêutica completa com câmara multiplace de alta capacidade + parceria com cirurgia plástica + oncologia + emergência mergulho 24/7. Custo mensal R$ 11.000 a R$ 25.000, setup de R$ 220.000 a R$ 500.000. Comissão multidisciplinar mensal, ART de médico hiperbarista habilitado + engenheiro de pressão, livro RAEE classe II + integração com BCP-DRP do PGRSS.
Os três erros que aparecem em fiscalização
O primeiro é o EPI sintético dentro da cabine HBOT. Risco de incêndio + auto técnico imediato.
O segundo é o descarte de cabine sem cadeia RAEE classe II. PNRS art. 33 + ANVISA cruzando.
O terceiro é o A1 RA de cicatrização misturado com A1 baixa. Volume + segregação inadequada.
A medicina hiperbárica brasileira está em fase de transformação técnica acelerada com cicatrização de ferida crônica + oncologia integrada como prioridades. Os centros que estruturam PGRSS robusto desde o início — alinhados com calendário 2026 de compliance — atravessam o crescimento sem solavanco. Para gestores que precisam alinhar com gestão paralela industrial do grupo, o portal Seven Resíduos sobre serviços completos traz a perspectiva integrada.
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