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Compliance e Legislação 12 de junho, 2026 · 5 min de leitura

Hepatocarcinoma: PGRSS na Era IMbrave150 e HIMALAYA

Atezolizumabe-bevacizumabe IMbrave150, durvalumabe-tremelimumabe HIMALAYA, TACE e TARE Y-90 reescrevem o PGRSS hepatobiliar.

por Jorge Jason
Atualizado em 12 de junho, 2026
Hepatocarcinoma: PGRSS na Era IMbrave150 e HIMALAYA

A oncologia hepatobiliar de 2026 redefiniu, em três etapas, o algoritmo de tratamento do carcinoma hepatocelular (HCC). Primeiro, o sorafenibe (estudo SHARP, 2007) abriu a primeira linha sistêmica para doença avançada. Depois, o lenvatinibe (REFLECT, 2018) demonstrou não-inferioridade ao sorafenibe com perfil de toxicidade distinto. Finalmente, em 2020 e nos anos seguintes, a combinação atezolizumabe + bevacizumabe (IMbrave150) e a combinação durvalumabe + tremelimumabe (HIMALAYA, esquema STRIDE) consolidaram-se como primeira linha de escolha em HCC avançado com ganhos de sobrevida global e de qualidade de vida sem precedentes em duas décadas. O nivolumabe (CheckMate-040) e o pembrolizumabe (KEYNOTE-224) ocupam o espaço de segunda linha pós-progressão.

Em paralelo, a oncologia intervencionista hepática consolidou três técnicas locorregionais: TACE (TransArterial ChemoEmbolization) com Lipiodol, microesferas DC Bead ou HepaSphere; TARE (TransArterial RadioEmbolization) com microesferas Y-90 (SIR-Spheres ou TheraSphere); e PVE/ALPPS (Portal Vein Embolization / Associating Liver Partition with Portal vein ligation for Staged hepatectomy) para hipertrofia do remanescente hepático antes de hepatectomia maior. A cirurgia hepatopancreatobiliar (HPB) avançada — pancreatoduodenectomia tipo Whipple, pancreatectomia distal, hepatectomia maior anatômica — opera com volumes cirúrgicos substanciais e fluxos PGRSS específicos.

Para o serviço de oncologia HPB, cada categoria reescreve o plano de gerenciamento de resíduos de serviços de saúde (PGRSS).

TARE Y-90: a fronteira do PGRSS hepatobiliar

A radioembolização com microesferas Y-90 é o procedimento que mais transforma o PGRSS de medicina nuclear hepática. O Y-90 emite radiação beta de meia-vida 64,1 horas, com microesferas de 20-60 µm administradas por cateter intra-arterial seletivo. O paciente é fonte radioativa por aproximadamente 14 dias após o procedimento, com excreção mínima (a maior parte da dose decai in situ no fígado). A regulamentação CNEN-NN-3.05 classifica o resíduo como Grupo C (rejeitos radioativos) — cateter, frasco residual, EPI radiológico — com armazenamento em sala de decaimento até atingir nível abaixo do limite de liberação (aproximadamente 30-40 dias para Y-90).

A regra prática que falha em auditoria: equipes de hemodinâmica intervencionista assumem que TARE é “embolização padrão” e tratam o resíduo como Grupo E perfurocortante comum. Erro grave que invalida a licença CNEN da unidade.

Tabela: terapias HCC e HPB avançadas 2026 e PGRSS

Estratégia Estudo-pivô / Indicação Resíduo predominante Classificação RDC 222/2018
Atezo + Beva (IMbrave150) HCC avançado 1L Frascos + linha + EPI A1 + B + E
Durva + Treme (HIMALAYA STRIDE) HCC avançado 1L Frascos + linha + EPI A1 + B + E
Sorafenibe / Lenvatinibe HCC avançado oral Comprimidos vencidos/partidos B (medicamento)
Nivolumabe (CheckMate-040) HCC pós-sorafenibe Frasco residual + linha + EPI A1 + B + E
TACE (Lipiodol/DC Bead) HCC intermediário BCLC-B Cateter + droga residual + EPI A1 + B + E
TARE Y-90 (SIR-Spheres/TheraSphere) HCC + metástase hepática Cateter + microesferas + EPI radio C (radioativo) + A1 + E
Whipple / Hepatectomia maior Adenoca pâncreas / metástase ressecável Tecido + drenos + curativos A1 + E + D

A leitura cruzada da tabela mostra que o serviço HPB opera, simultaneamente, terapia oral isolada (B), infusão biológica imunoterápica (A1+B+E), embolização química (A1+B+E), radioembolização (Grupo C com regulamentação CNEN) e cirurgia maior (A1+E+D) — cinco categorias com perfis de risco distintos.

A medicina nuclear como nova fronteira do PGRSS HPB

A entrada do TARE Y-90 no algoritmo de HCC fez com que hospitais que operavam só hemodinâmica padrão precisem agora estruturar setor de medicina nuclear, contratar físico médico, obter licença CNEN específica para Y-90 e implementar PGRSS Grupo C. Em centros que rodam mais de 30 procedimentos TARE/ano, há sala dedicada com blindagem específica e dosímetro individual para a equipe.

Para o serviço que está estruturando essa frente, a Seven Resíduos atua na interface entre oncologia HPB e PGRSS auditável, com coleta especializada para resíduos hospitalares de alta complexidade calibrada para serviços que rodam IMbrave150, HIMALAYA, TARE Y-90 e Whipple no mesmo paciente.

Três perfis: como diferentes serviços absorvem o algoritmo 2026

Centro de oncologia HPB de referência (mais de 50 hepatectomias maiores/ano + TARE): opera todas as categorias, tem cirurgião HPB, oncologista clínico, hemodinâmica intervencionista e medicina nuclear integrados. PGRSS é dedicado por especialidade.

Hospital geral com serviço de oncologia HPB (10-30 hepatectomias/ano): opera cirurgia ressectiva e quimioterapia/imunoterapia. Encaminha TARE para centro de referência. PGRSS cobre cirurgia e infusão.

Clínica oncológica ambulatorial: opera infusão de IMbrave150 e HIMALAYA, prescrição de sorafenibe e lenvatinibe. PGRSS limitado a Grupo A1+B+E ambulatorial.

Três erros recorrentes em PGRSS hepatobiliar avançado

  1. Tratar resíduo de TARE Y-90 como cateter padrão de hemodinâmica. O Y-90 exige sala de decaimento com aproximadamente 30-40 dias de armazenamento antes de liberação para descarte como resíduo comum. Descarte antes do decaimento é descumprimento da CNEN-NN-3.05.
  2. Não rastrear lote de microesfera Y-90 por paciente. A Farmacovigilância da ANVISA exige rastreabilidade de lote em caso de evento adverso ou recall do fabricante.
  3. Confundir bevacizumabe (IMbrave150) com monoclonal padrão. O bevacizumabe combinado com atezolizumabe tem perfil de risco vascular específico (sangramento, perfuração intestinal) — o resíduo segue Grupo A1+B+E mas o protocolo escrito precisa contemplar resposta a evento adverso.

O horizonte 2027: terapia gênica HCC e bispecíficos

A próxima onda inclui AAV-mediated gene therapy para deficiências metabólicas hepáticas (Wilson, AIH), bispecíficos GPC3 x CD3 em ensaios fase II para HCC avançado e CAR-T anti-GPC3 com primeiros relatos. Cada categoria nova exige revisão do PGRSS antes do primeiro paciente.

Para aprofundar, leia o post sobre oncologia gástrica avançada e o artigo sobre oncologia próstata avançada com Pluvicto, além do panorama geral de PGRSS oncológico. Como referência, a norma CNEN-NN-3.05 e o estudo IMbrave150 publicado no NEJM são leitura obrigatória.

Pronto para alinhar seu PGRSS à oncologia HPB de 2026? Fale com a Seven Resíduos e estruture um plano que acompanhe seus protocolos.

Tags #Hepatocarcinoma #HIMALAYA #IMbrave150 #TARE

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