A ginecologia oncológica de 2026 organiza o tratamento de três grandes carcinomas femininos — colo uterino, endométrio e ovário — em torno de classes terapêuticas que mudaram radicalmente nos últimos cinco anos. No carcinoma de ovário, os inibidores de PARP dominam manutenção pós-resposta a primeira linha de quimioterapia: olaparibe (estudo SOLO-1 para BRCA mutado, PAOLA-1 combinado com bevacizumabe), niraparibe (PRIMA, NOVA), rucaparibe (ARIEL3) e talazoparibe ampliaram o arsenal molecular. O mirvetuximabe soravtansina (Elahere), ADC anti-FRα (folate receptor alpha) com payload DM4, entrou na carteira de ovário recidivado FRα-positivo após estudo FORWARD-II e MIRASOL.
No carcinoma de colo uterino avançado, o pembrolizumabe combinado com quimioterapia de platina (KEYNOTE-826) consolidou-se como primeira linha em PD-L1+, e o tisotumabe vedotina (Tivdak), ADC anti-tissue factor, ocupa segunda linha em recidivado. No carcinoma de endométrio avançado, a combinação dostarlimabe + carboplatina + paclitaxel (RUBY) e pembrolizumabe + lenvatinibe (KEYNOTE-775) redefiniram a primeira linha, com taxas de resposta clínica completa em pacientes MSI-H/dMMR superiores a 60%.
Cada classe nova reescreve o plano de gerenciamento de resíduos de serviços de saúde (PGRSS) do serviço de ginecologia oncológica.
A nova matriz de PGRSS gineco-oncológico
A paciente com carcinoma ovariano avançado de 2026 atravessa, ao longo da jornada terapêutica, quatro a seis fluxos distintos de PGRSS: cirurgia citorredutora primária ou de intervalo (Grupo A1+E+D), quimioterapia adjuvante carboplatina + paclitaxel (Grupo B+A1+E), manutenção com PARP oral (Grupo B medicamento), eventual ADC anti-FRα em recidiva (Grupo A1+B citotóxico+E), HIPEC em casos selecionados (Grupo A1+B+E) e — se MSI-H — imunoterapia (Grupo A1+B+E).
A regra prática que falha em auditoria: equipes de mastologia oncológica adaptadas ao fluxo HER2+/HER2-low (T-DXd e Trodelvy) assumem que mirvetuximabe é “ADC padrão” e usam o mesmo protocolo. Erro. O payload DM4 (maytansinoide) tem perfil de toxicidade ocular específico e exige protocolo de monitoramento oftalmológico paralelo, mais classificação PGRSS de Grupo B citotóxico no descarte do frasco residual e da linha de infusão.
Tabela: terapias gineco-oncológicas avançadas 2026 e PGRSS
| Estratégia | Estudo-pivô / Indicação | Resíduo gerado | Classificação RDC 222/2018 |
|---|---|---|---|
| Olaparibe (SOLO-1 / PAOLA-1) | Manutenção ovário BRCA+ | Comprimidos vencidos/partidos | B (medicamento) |
| Niraparibe (PRIMA / NOVA) | Manutenção ovário pós-1L | Comprimidos vencidos/partidos | B (medicamento) |
| Rucaparibe (ARIEL3) | Manutenção ovário | Comprimidos vencidos/partidos | B (medicamento) |
| Mirvetuximabe (FORWARD-II / MIRASOL) | Ovário recidivado FRα+ | Frasco + linha + EPI ADC | A1 + B (citotóxico DM4) + E |
| Pembro + QT (KEYNOTE-826) | Colo uterino PD-L1+ 1L | Frasco + linha + EPI + QT | A1 + B + E |
| Tisotumabe vedotina (Tivdak) | Colo uterino recidivado | Frasco + linha + EPI ADC | A1 + B (citotóxico MMAE) + E |
| Dostarlimabe + QT (RUBY) | Endométrio MSI-H/dMMR 1L | Frasco + linha + EPI + QT | A1 + B + E |
| Pembro + Lenvatinibe (KEYNOTE-775) | Endométrio pMMR | Frasco + comprimido + EPI | A1 + B + E |
A leitura cruzada da tabela mostra que o serviço opera, simultaneamente, PARP oral (B isolado), ADC com payload citotóxico (A1+B+E com EPI ADC) e imunoterapia combinada com quimio (A1+B+E) — três níveis de complexidade PGRSS na mesma especialidade.
A cirurgia citorredutora ovariana como ponto crítico
A cirurgia citorredutora ovariana (debulking) — primária ou de intervalo após neoadjuvância — é uma das cirurgias oncológicas de maior volume residual que o ginecologista oncológico opera. Histerectomia total + ooforectomia bilateral + omentectomia + linfadenectomia pélvica e para-aórtica + peritonectomia geram, em casos extensos, 40-80 kg de tecido ressecado, drenos prolongados, EPI cirúrgico de alta contenção e — quando combinada com HIPEC — perfusato citotóxico hipertérmico (Grupo A1+B+E).
Para o serviço que estrutura essa frente, a Seven Resíduos atua na interface entre ginecologia oncológica avançada e PGRSS auditável, com coleta especializada para resíduos cirúrgico-oncológicos calibrada para serviços que rodam debulking, PARP, ADC e imunoterapia em escala.
Três perfis: como diferentes serviços absorvem o algoritmo 2026
Centro gineco-oncológico de referência (mais de 200 ovário avançado/ano): opera todas as classes — debulking, PARP, ADC, imunoterapia, HIPEC selecionado. Tem cirurgião gineco-oncológico, oncologista clínica, farmacêutica oncológica e cirurgião de carcinomatose integrados. PGRSS é dedicado por procedimento.
Hospital geral com serviço de ginecologia oncológica (50-150 casos/ano): opera cirurgia, QT padrão e PARP. Adapta PGRSS para receber mirvetuximabe quando entra no protocolo. Encaminha HIPEC para centro de referência.
Clínica oncológica ambulatorial: opera infusão de carboplatina/paclitaxel, dostarlimabe, pembrolizumabe e prescrição de PARP. PGRSS limitado a Grupo A1+B+E ambulatorial, com contrato semanal de coleta.
Três erros recorrentes em PGRSS gineco-oncológico avançado
- Tratar mirvetuximabe e tisotumabe vedotina como monoclonal padrão. O componente citotóxico do payload (DM4 e MMAE) exige EPI ADC e cabine classe II B2. Manipular como monoclonal isolado expõe a equipe.
- Não rastrear lote de PARP oral por paciente. A Farmacovigilância da ANVISA exige rastreabilidade em caso de evento adverso (mielotoxicidade, MDS/AML secundária com olaparibe e niraparibe). Sem amarração, o serviço não responde.
- Confundir tecido ressecado de debulking com cirurgia oncológica padrão. O volume é substancialmente maior e exige planejamento de descarte com transportador antes da cirurgia, não depois.
O horizonte 2027: terapia gênica BRCA e CAR-T ovariano
A próxima onda inclui terapia gênica AAV-mediated para correção de mutação BRCA1/2 germinativa em pacientes pré-sintomáticas, primeiros relatos de CAR-T anti-MUC16 e anti-CLDN6 para ovário recidivado refratário, e vacinas terapêuticas anti-HPV para carcinoma cervical em ensaios fase II-III. Cada categoria nova exige revisão do PGRSS antes do primeiro paciente.
Para aprofundar, leia o post sobre oncologia mama avançada com T-DXd e o artigo sobre carcinomatose peritoneal CRS HIPEC, além do panorama geral de PGRSS oncológico. Como referência, a RDC 222/2018 da ANVISA e o estudo SOLO-1 publicado no NEJM são leitura obrigatória.
Pronto para alinhar seu PGRSS à ginecologia oncológica de 2026? Fale com a Seven Resíduos e estruture um plano que acompanhe seus protocolos.