A oftalmologia ambulatorial tem perfis muito distintos: consultório clínico-diagnóstico (refração, OCT, mapeamento) gera muito pouco RSS, enquanto centros cirúrgicos oftalmológicos (catarata, vitrectomia, refrativa) entram em perfil médio. A linha entre os dois perfis muda profundamente o PGRSS necessário sob a RDC 222/2018.
Consultório oftalmológico clínico: muito pouco RSS
Atendimento de refração + OCT + mapeamento + topografia não envolve fluido biológico significativo:
- Lenço de papel para limpeza ocular → D (lixo comum).
- Cone do tonômetro de aplanação descartável → D em geral; A1 se com lágrima/sangue de paciente com conjuntivite ativa.
- Tira de Schirmer descartada → A1 (contém lágrima).
- EPI ocasional → D ou A1 conforme contato.
Volume típico: 0,5-2 kg/mês de A1, geralmente. PGRSS dispensável ou simplificado.
Centro cirúrgico oftalmológico: alto componente RSS
Cirurgia de catarata, glaucoma, refrativa (LASIK, PRK), vitrectomia, transplante de córnea — todas geram fluxos RSS específicos:
| Procedimento | Resíduo gerado | Grupo |
|---|---|---|
| Cirurgia de catarata (facoemulsificação) | Lente intraocular descartada (rara), peças do facoemulsificador, BSS, EPI | A1 + D (componentes do facoemulsificador) |
| Vitrectomia | Cassete de vitrectomia, tubos, EPI cirúrgico | A1 + E |
| LASIK / PRK | Microqueratomo, mitomicina C, EPI | A1 + B (mitomicina C) + E |
| Transplante de córnea | Tecido (córnea doadora — não vai para lixo, vai para banco) | Banco específico |
| Aplicação intravítrea (anti-VEGF) | Agulha + frasco + EPI | E + A1 |
Mitomicina C em refrativa: Grupo B citostático
Cirurgia refrativa moderna usa mitomicina C (citostático em concentração baixa) para reduzir haze pós-PRK. Resíduo:
- Frasco com mitomicina C → Grupo B citostático.
- Compressas com sobra → A1 + B.
- EPI → A1 + B.
Custos extras de coletora com licença citostático.
Aplicação intravítrea anti-VEGF (Lucentis, Eylea, Avastin)
Procedimento ambulatorial frequente em centros que tratam DMRI (degeneração macular) e edema diabético:
- Agulha 30G → E (caixa amarela).
- Frasco com vestígio anti-VEGF → A1.
- EPI → A1.
Volume baixo por procedimento (50-100 g), mas frequência alta em centros de retina (15-30/dia). Total: 5-15 kg/mês.
Volume e custo médio
| Perfil | Volume | Coleta | PGRSS |
|---|---|---|---|
| Consultório clínico-diagnóstico | 0,5-2 kg/mês | R$60-120/mês | R$1.000-2.000 |
| Centro com aplicações intravítreas | 5-15 kg/mês | R$150-350/mês | R$2.500-4.500 |
| Centro cirúrgico (catarata + refrativa) | 15-50 kg/mês | R$350-800/mês | R$4.000-8.000 |
| Hospital oftalmológico | 50-150 kg/mês | R$800-2.000/mês | R$8.000-15.000 |
Lente intraocular descartada: caso específico
Lente IOL não vai para lixo comum nem para A1 simples — é dispositivo médico classe III (esterilidade, rastreabilidade obrigatória ANVISA). Quando descartada (defeito de fabricação, vencimento):
- Devolução ao fabricante via logística reversa (Alcon, Bausch & Lomb, ZEISS).
- Não vira RSS se o sistema de logística reversa funciona corretamente.
Lente colocada e depois explantada (raríssima) → A1 com tecido humano em formol.
Erros comuns
- Tratar todo o resíduo do facoemulsificador como A1. Cassete pode ter componentes recicláveis (D técnico).
- Misturar mitomicina C com A1 simples. É Grupo B citostático — fluxo separado.
- Descartar lente IOL em saco branco. Logística reversa do fabricante.
- Não emitir MTR para volume baixo de consultório. Volume mínimo? Não existe.
Conclusão
Oftalmologia tem perfil RSS muito variável — consultório clínico tem pouquíssimo, centros cirúrgicos com aplicação intravítrea e refrativa têm volume médio com componente Grupo B (mitomicina C). PGRSS proporcional, atenção a logística reversa de lente IOL e fluxo separado para citostáticos.
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