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Compliance e Legislação 19 de junho, 2026 · 4 min de leitura

Como Descartar Residuo de Dialise Peritoneal

Diálise peritoneal gera bolsa drenada com efluente do paciente. Veja o fluxo correto e o caso domiciliar.

por Jorge Jason
Atualizado em 19 de junho, 2026
Como Descartar Residuo de Dialise Peritoneal

Diálise peritoneal (DP) é modalidade de terapia renal substitutiva onde a solução dialítica entra na cavidade abdominal do paciente, troca toxinas, e é drenada. Gera bolsa drenada com efluente peritoneal — fluido com toxinas urêmicas, eletrólitos, proteínas, e potencialmente sangue ou medicamento. Quem trata como “água com sal” descarta na pia e infringe regulação ambiental.

O que é o efluente

Bolsa drenada de DP contém:

Volume por troca: 1,5-2,5 litros. Frequência: 4-5x/dia (CAPD) ou ciclos noturnos (APD).

A classificação RSS

Bolsa drenada de DP = Grupo A1 obrigatório:

Em caso de peritonite, sobe para Grupo A2 (risco aumentado) com saco duplo.

O cenário no centro de DP

Centro de diálise peritoneal hospitalar:

Volume total: 20-100 kg/dia de RSS em centro de DP.

O cenário no home care (DP domiciliar — CAPD/APD)

A maioria dos pacientes faz DP em casa. Modalidades:

CAPD (Contínua Ambulatorial)

Paciente troca 4-5 vezes/dia manualmente. Gera 4-5 bolsas drenadas/dia.

APD (Automática Peritoneal)

Cicladora durante o sono. Gera 1 bolsa grande de drenagem (8-15 litros) por noite.

Volume por paciente em casa: 2-15 litros/dia = 2-15 kg/dia de Grupo A1.

O fluxo domiciliar

O paciente/cuidador não pode despejar a bolsa drenada no vaso/pia. A operadora de home care + clínica de DP é responsável legalmente. Opções:

  1. Coleta domiciliar especializada pelo transportador da operadora (1-2x/semana)
  2. Ponto de coleta na clínica de DP — paciente leva bolsas drenadas refrigeradas
  3. Acordo com hospital de referência (modelo SUS) — paciente entrega na unidade

Em todos os casos, MTR rastreável + CDF arquivado.

A regra ANVISA + ANS

ANVISA RDC 222/2018 classifica a bolsa drenada como Grupo A1.

ANS regula a operadora de home care como responsável pelo fluxo do RSS gerado em casa do paciente assistido — não pode transferir a responsabilidade ao paciente.

Os 3 erros mais comuns

1. Bolsa drenada no vaso sanitário em casa

Paciente sem orientação. Operadora não fornece coleta. Resultado: rede de esgoto com efluente urêmico + risco regulatório do operador (não do paciente).

2. Bolsa drenada em saco preto comum

Centro de DP que mistura com lixo comum por “praticidade”. NC imediata.

3. Bolsa drenada hospital sem MTR

Hospital com DP integrada não documenta corretamente. Em auditoria, falta rastreabilidade.

Casos especiais

Paciente com peritonite

Bolsa drenada com aspecto turvo/leitoso (presença de leucócitos/bactérias) = Grupo A2 (risco aumentado). Equipe usa EPI completo no descarte. Em alguns serviços, autoclavagem prévia antes da coleta externa.

Bolsa com sangue (hemoperitônio)

Quando há sangramento intracavitário visível: Grupo A2, com saco duplo e identificação adicional.

Antibiótico intracavitário (vancomicina, ceftazidima)

Bolsa drenada com antibiótico residual: Grupo A1 + B. Algumas clínicas separam para incineração em vez de autoclavagem.

Volume nacional

Brasil tem ~10 mil pacientes em DP (SBN 2023). Volume nacional de bolsas drenadas:

Pode parecer pequeno comparado ao RSS total nacional, mas é volumoso em centro especializado.

Custo típico

Centro de DP de médio porte: R$ 8-25 mil/mês em coleta de Grupo A1.

Operadora de home care com pacientes DP: R$ 200-600/mês por paciente em coleta domiciliar especializada.

A Seven Resíduos atende centros de DP e operadoras de home care com coleta licenciada de Grupo A1 + suporte específico para fluxo domiciliar.

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Tags #Diálise Peritoneal #Efluente #Grupo A1 #Home Care

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