Diálise peritoneal (DP) é modalidade de terapia renal substitutiva onde a solução dialítica entra na cavidade abdominal do paciente, troca toxinas, e é drenada. Gera bolsa drenada com efluente peritoneal — fluido com toxinas urêmicas, eletrólitos, proteínas, e potencialmente sangue ou medicamento. Quem trata como “água com sal” descarta na pia e infringe regulação ambiental.
O que é o efluente
Bolsa drenada de DP contém:
- Solução dialítica original (dextrose, eletrólitos, tampão lactato/bicarbonato)
- Toxinas urêmicas removidas (ureia, creatinina, fósforo, potássio)
- Proteínas perdidas pelo peritônio (albumina principalmente)
- Bactérias se houver peritonite associada
- Sangue quando há sangramento intracavitário (drenagem sanguinolenta)
- Medicamento residual quando antibiótico intracavitário foi adicionado à bolsa
Volume por troca: 1,5-2,5 litros. Frequência: 4-5x/dia (CAPD) ou ciclos noturnos (APD).
A classificação RSS
Bolsa drenada de DP = Grupo A1 obrigatório:
- Material biológico com risco padrão
- Não vai na pia (CONAMA 430 + risco contaminação cruzada)
- Não vai no esgoto sanitário em volume relevante
- Vai em saco branco leitoso com símbolo infectante
- Coleta interna pelo transportador licenciado
Em caso de peritonite, sobe para Grupo A2 (risco aumentado) com saco duplo.
O cenário no centro de DP
Centro de diálise peritoneal hospitalar:
- 5-15 pacientes/dia com 4-5 trocas
- 20-75 bolsas drenadas/dia = 30-180 litros/dia de efluente
- 15-90 kg/dia de Grupo A1 só de bolsa drenada
- + linhas de transferência descartáveis (Grupo A1)
- + EPI da equipe (Grupo A1)
- + frascos de medicamento intracavitário (Grupo B)
Volume total: 20-100 kg/dia de RSS em centro de DP.
O cenário no home care (DP domiciliar — CAPD/APD)
A maioria dos pacientes faz DP em casa. Modalidades:
CAPD (Contínua Ambulatorial)
Paciente troca 4-5 vezes/dia manualmente. Gera 4-5 bolsas drenadas/dia.
APD (Automática Peritoneal)
Cicladora durante o sono. Gera 1 bolsa grande de drenagem (8-15 litros) por noite.
Volume por paciente em casa: 2-15 litros/dia = 2-15 kg/dia de Grupo A1.
O fluxo domiciliar
O paciente/cuidador não pode despejar a bolsa drenada no vaso/pia. A operadora de home care + clínica de DP é responsável legalmente. Opções:
- Coleta domiciliar especializada pelo transportador da operadora (1-2x/semana)
- Ponto de coleta na clínica de DP — paciente leva bolsas drenadas refrigeradas
- Acordo com hospital de referência (modelo SUS) — paciente entrega na unidade
Em todos os casos, MTR rastreável + CDF arquivado.
A regra ANVISA + ANS
ANVISA RDC 222/2018 classifica a bolsa drenada como Grupo A1.
ANS regula a operadora de home care como responsável pelo fluxo do RSS gerado em casa do paciente assistido — não pode transferir a responsabilidade ao paciente.
Os 3 erros mais comuns
1. Bolsa drenada no vaso sanitário em casa
Paciente sem orientação. Operadora não fornece coleta. Resultado: rede de esgoto com efluente urêmico + risco regulatório do operador (não do paciente).
2. Bolsa drenada em saco preto comum
Centro de DP que mistura com lixo comum por “praticidade”. NC imediata.
3. Bolsa drenada hospital sem MTR
Hospital com DP integrada não documenta corretamente. Em auditoria, falta rastreabilidade.
Casos especiais
Paciente com peritonite
Bolsa drenada com aspecto turvo/leitoso (presença de leucócitos/bactérias) = Grupo A2 (risco aumentado). Equipe usa EPI completo no descarte. Em alguns serviços, autoclavagem prévia antes da coleta externa.
Bolsa com sangue (hemoperitônio)
Quando há sangramento intracavitário visível: Grupo A2, com saco duplo e identificação adicional.
Antibiótico intracavitário (vancomicina, ceftazidima)
Bolsa drenada com antibiótico residual: Grupo A1 + B. Algumas clínicas separam para incineração em vez de autoclavagem.
Volume nacional
Brasil tem ~10 mil pacientes em DP (SBN 2023). Volume nacional de bolsas drenadas:
- 4-5 bolsas/dia × 365 dias × 10.000 pacientes = 15-18 milhões de bolsas/ano
- Volume líquido total: 30-45 milhões de litros/ano
- Peso aproximado: 30-45 mil toneladas/ano de Grupo A1
Pode parecer pequeno comparado ao RSS total nacional, mas é volumoso em centro especializado.
Custo típico
Centro de DP de médio porte: R$ 8-25 mil/mês em coleta de Grupo A1.
Operadora de home care com pacientes DP: R$ 200-600/mês por paciente em coleta domiciliar especializada.
A Seven Resíduos atende centros de DP e operadoras de home care com coleta licenciada de Grupo A1 + suporte específico para fluxo domiciliar.
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