Endoscopia digestiva, colonoscopia, broncoscopia e procedimentos correlatos geram mix particular de RSS — uma parte do material é cara, esterilizada e reutilizável; outra é descartável e infectante. Errar a destinação custa: jogar fora material reusável é prejuízo financeiro; reusar o que deveria ser descartado é risco biológico.
O que é descartável vs. reusável
Descartável (Grupo A1 ou E)
- Pinças de biópsia descartáveis — Grupo E + A1
- Alças de polipectomia descartáveis — Grupo E + A1
- Pinças de extração descartáveis — Grupo E + A1
- Bocais e protetores bucais — Grupo A1 quando teve contato com saliva/secreção
- Tubos de aspiração e gaze — Grupo A1
- Cápsula endoscópica (após eliminação pelo paciente) — Grupo A1, com cuidado de NR-32
Reusável (não vira RSS)
- Endoscópio (videocolono, gastro, etc.) — equipamento caro, vai para limpeza e desinfecção de alto nível (DAN) em CME
- Pinças metálicas reutilizáveis — autoclave após uso
- Cabos de fonte de luz, cabos óticos — limpeza terminal, sem descartar
A diferença é financeira e regulatória: endoscópio descartado por engano = R$ 30-80 mil de prejuízo. Pinça descartável reusada = risco biológico + autuação Vigilância.
O fluxo correto na sala
1. Preparação
Sala de endoscopia tem 3 fluxos de material:
- Limpos esterilizados (vindos do CME)
- Sujos para CME (após uso, vão para reprocessamento)
- Sujos descartáveis (após uso, viram RSS)
2. Durante o procedimento
Equipe identifica cada item ao descartar:
- Pinça descartável → caixa amarela Grupo E (porque é cortante)
- Bocais e protetores → saco branco Grupo A1
- Tubo de aspiração → saco branco com fluido biológico
- Frasco de coleta de biópsia → vai para anatomia patológica (não RSS), preservado em formol em frasco rígido
3. Após o procedimento
- Endoscópio: limpeza imediata na sala (etapa pré-limpeza), depois levado ao CME
- Material descartável: separado por grupo no carrinho de coleta interna
- Material reusável metálico: separado para autoclave
Limpeza do endoscópio = não é RSS
A limpeza e desinfecção do endoscópio gera resíduo próprio:
- Solução de glutaraldeído ou OPA usada = Grupo B (químico)
- Água residual da limpeza com detergente enzimático = Grupo D (em geral), Grupo B em alguns protocolos
- Filtros e descartáveis da DAN = Grupo A
O CME que faz a DAN segue procedimento próprio com PGRSS específico do setor.
Os 3 erros mais comuns
- Descartar pinça descartável no Grupo A em vez de Grupo E — risco de acidente perfurocortante na equipe de coleta interna
- Endoscópio na pia de expurgo da sala — pré-limpeza correta, mas se a sala não tem ralo conectado ao tratamento de efluente, contamina rede municipal
- Frasco de biópsia com formol no Grupo A comum — vai para autoclave, formol vaporiza, contamina equipamento. Tem que ir em fluxo Grupo B + identificado como peça anatômica de patologia
Volume típico
Centro de endoscopia com 20-30 procedimentos/dia gera 8-25 kg/dia de RSS:
- Grupo A1: 60-70%
- Grupo E: 15-25%
- Grupo B: 10-15%
- Grupo D: ~5%
Casos especiais
- Paciente com hepatite, HIV, prion: material descartável vai em Grupo A2 (risco aumentado), com saco duplo
- Cápsula endoscópica eliminada por paciente: fralda + cápsula em saco branco identificado, alguns hospitais autoclavam antes do descarte
- Biopsia para anatomia patológica: não é RSS — é amostra clínica em fluxo de laboratório, com formol
A Seven Resíduos atende centros de endoscopia com coleta dimensionada para o mix de Grupo A1, E e B — incluindo coleta de solução de glutaraldeído/OPA do CME.
Seu centro de endoscopia tem fluxo organizado? Fale com a Seven Resíduos.