Centro de oxigenoterapia hiperbárica (OHB) é uma especialidade emergente que atende ferida crônica não cicatrizante, pé diabético, intoxicação por monóxido de carbono, doença descompressiva, e cada vez mais aplicações off-label (lesão neurológica, fadiga crônica, cosmética). A operação é regulada pela RDC 14/2008 da ANVISA e tem perfil de RSS muito específico: a câmara hiperbárica em si não gera RSS, mas o atendimento clínico associado sim.
O que a câmara em si gera (e o que não gera)
| Atividade | Resíduo | Grupo |
|---|---|---|
| Sessão de OHB pura (paciente em câmara, sem outro procedimento) | Lenço, papel, EPI ocasional | D (lixo comum) |
| Avaliação clínica antes da sessão | Receita, papelada | D / reciclagem |
| Curativo de ferida crônica antes/depois | Gaze, hidrocoloide, alginato com exsudato | A1 |
| Coleta de glicemia ou aferição em paciente diabético | Lanceta + tira reagente + algodão | E + A1 |
| Aplicação de antibiótico tópico ou sistêmico | Frasco + agulha eventual + EPI | E + A1 + B |
A câmara em si — pressurização, oxigênio puro, vidro/acrílico — não tem fluido biológico durante a sessão. Pano de limpeza interna após sessão pode ser D ou A1 dependendo se houve secreção/sangue do paciente.
O perfil clínico do paciente determina o volume
Centro OHB só com tratamento agudo (intoxicação por CO, mergulho, gangrena gasosa) tem volume RSS muito baixo: 1-3 kg/mês.
Centro OHB com tratamento de ferida crônica (pé diabético, úlcera venosa, radionecrose) atende paciente que precisa de curativo extensivo antes/depois da sessão. Aí o volume sobe:
- 3-15 curativos/dia com gaze, hidrocoloide, alginato → A1.
- Glicemia capilar de paciente diabético → E + A1.
- Aplicação de antibiótico ou anestésico tópico → A1 + ocasional B.
Centro com 30-50 sessões/dia + curativo: 8-25 kg/mês de RSS.
Volume e custo médio
| Perfil | Volume | Coleta mensal | PGRSS inicial |
|---|---|---|---|
| OHB puro (só agudo) | 1-3 kg/mês | R$80-150 | R$1.500-3.000 |
| OHB + ferida crônica média | 8-25 kg/mês | R$200-450 | R$3.000-6.000 |
| OHB hospital de referência | 30-80 kg/mês | R$500-1.200 | R$8.000-15.000 |
A regulação RDC 14/2008
A RDC 14 trata especificamente do funcionamento da câmara, não do RSS. Mas integra com RDC 222 quando há atendimento clínico:
- Câmara homologada ANVISA com pressurização adequada.
- Profissional Responsável Técnico (médico habilitado em OHB).
- PGRSS quando há atendimento clínico associado.
- Treinamento da equipe em emergência hiperbárica.
Risco específico: oxigênio puro + descartável
Câmara hiperbárica opera com 100% O2. Material descartável dentro da câmara durante sessão tem risco de combustão se contaminado com gordura/álcool. Lenço com creme à base de petróleo, álcool 70% recente — proibidos dentro da câmara.
Resíduo da limpeza pré-câmara (pano de algodão limpo, sem petróleo) → D.
Erros comuns
- Tratar curativo de ferida crônica como D. Curativo com exsudato é A1, sempre.
- Misturar resíduo de glicemia com lixo comum. Lanceta é E.
- Usar pano com petróleo dentro da câmara. Risco de incêndio.
- Não emitir MTR. Volume baixo ≠ isento.
Conclusão
Centro de oxigenoterapia hiperbárica tem perfil RSS de baixo a médio volume, dependente do mix de pacientes (agudo vs. crônico). PGRSS proporcional, foco no curativo associado e glicemia, atenção especial à segurança da câmara. Regulação RDC 14 integra com RDC 222 sem conflito.
A Seven Resíduos Saúde atende centros OHB ambulatoriais em São Paulo. Solicite avaliação ao perfil específico.