A oncologia torácica de 2026 organizou o tratamento do câncer de pulmão de não pequenas células (NSCLC) avançado em torno de dois eixos paralelos: a medicina de precisão dirigida a alvos moleculares e a imunoterapia checkpoint inhibitor isolada ou combinada. O osimertinibe (estudo FLAURA) é primeira linha consolidada para mutações ativadoras do EGFR (deleção do éxon 19 e L858R), agora estendida para uso adjuvante no estudo ADAURA após ressecção em estágios IB-IIIA. O alectinibe (ALEX) e o brigatinibe (ALTA-1L) dominam a primeira linha do NSCLC ALK-rearranjado. O crizotinibe mantém espaço em ROS1, com lorlatinibe e entrectinibe ampliando o arsenal. O sotorasibe (CodeBreaK 100) e o adagrasibe (KRYSTAL-1) abriram o nicho KRAS G12C, antes considerado intratável. O selpercatinibe atende RET-fusion, o larotrectinibe atende NTRK e o dabrafenibe + trametinibe cobre BRAF V600E.
Em paralelo, a frente imunoterápica sustenta-se em quatro pilares: pembrolizumabe monoterapia (KEYNOTE-024 para PD-L1≥50%), pembrolizumabe + quimioterapia (KEYNOTE-189 para não-escamoso, KEYNOTE-407 para escamoso), atezolizumabe + bevacizumabe + carboplatina + paclitaxel (IMpower150) e nivolumabe + ipilimumabe + 2 ciclos de QT (CheckMate-9LA). Em estágio III irressecável, o durvalumabe consolidação (PACIFIC) após quimiorradiação concomitante é padrão.
Para o serviço de oncologia torácica, cada eixo terapêutico reescreve não só protocolos clínicos — reescreve também o plano de gerenciamento de resíduos de serviços de saúde (PGRSS).
A nova matriz de PGRSS torácico
O paciente NSCLC avançado de 2026 atravessa, ao longo da jornada terapêutica, quatro a seis fluxos distintos de PGRSS: terapia oral dirigida (Grupo B medicamento), quimioterapia citotóxica platino-doublet (Grupo B sobreposto a A1+E), imunoterapia monoclonal isolada ou combinada (Grupo A1+B+E), radioterapia conformacional ou estereotáxica (Grupo D ou A1), broncoscopia diagnóstica seriada (Grupo A1+E) e — em casos selecionados — cirurgia VATS ou ressecção robótica (Grupo A1+E+D).
A regra prática que falha em auditoria: equipes assumem que terapia oral dirigida (osimertinibe, alectinibe, sotorasibe) “não gera resíduo hospitalar” porque o paciente leva o blister para casa. Erro. O hospital ainda gera resíduo no preparo, controle de estoque, descarte de comprimidos partidos ou vencidos e logística reversa via farmácia.
Tabela: terapias NSCLC avançado 2026 e classificação PGRSS
| Classe terapêutica | Estudo-pivô / Indicação | Resíduo gerado | Classificação RDC 222/2018 |
|---|---|---|---|
| Osimertinibe | FLAURA / ADAURA EGFR del19/L858R | Comprimidos vencidos/partidos | B (medicamento) |
| Alectinibe / Brigatinibe | ALEX / ALTA-1L ALK+ | Comprimidos vencidos/partidos | B (medicamento) |
| Sotorasibe / Adagrasibe | CodeBreaK / KRYSTAL KRAS G12C | Comprimidos vencidos/partidos | B (medicamento) |
| Pembrolizumabe (KEYNOTE-024) | PD-L1≥50% 1L | Frasco residual + linha + EPI | A1 + B + E |
| Pembro + QT (KEYNOTE-189/407) | Combinado 1L | Frasco + linha + EPI + QT residual | A1 + B + E |
| Nivo + Ipi + QT (CheckMate-9LA) | 1L combinado | Frasco + linha + EPI | A1 + B + E |
| Durvalumabe (PACIFIC) | Estágio III pós-CRT | Frasco residual + linha + EPI | A1 + B + E |
A leitura cruzada da tabela mostra que o serviço opera, no mesmo paciente e em sequência, terapia oral (B isolado) e infusão biológica complexa (A1+B+E), frequentemente alternando classes ao longo de progressão tumoral. O fluxo deixou de ser linear e passou a ser longitudinal, com revisão mensal do PGRSS específico por paciente.
A broncoscopia oncológica como vetor crítico
O paciente NSCLC moderno faz broncoscopia com EBUS (ecobroncoscopia) e biópsia transbrônquica para diagnóstico inicial, broncoscopia de seguimento para resposta ao tratamento, e — em casos selecionados — broncoscopia terapêutica com crioterapia ou laser para obstrução central. Cada procedimento gera fluxo distinto de Grupo A1 (biológico), Grupo E (perfurocortante: agulhas EBUS, fórceps de biópsia descartáveis) e Grupo D (embalagens secundárias). Em centros de alta complexidade, o broncoscópio reutilizável passa por reprocessamento que gera Grupo B (resíduo de detergente enzimático e desinfetante de alto nível, glutaraldeído ou ácido peracético).
Para o serviço que estrutura essa interface entre medicina de precisão, imunoterapia, broncoscopia e PGRSS, a Seven Resíduos atua com coleta especializada para resíduos oncológicos hospitalares calibrada para serviços de oncologia torácica em escala.
Três perfis: como diferentes serviços absorvem o algoritmo 2026
Centro oncológico torácico de referência (mais de 200 NSCLC novos/ano): opera todas as classes terapêuticas, tem broncoscopista intervencionista, oncologista clínico, radio-oncologista e farmacêutica oncológica integrados. PGRSS é dedicado por especialidade e revisto a cada novo protocolo aprovado.
Hospital geral com serviço de oncologia (50-150 NSCLC/ano): opera quimioterapia, imunoterapia e terapia oral dirigida. PGRSS cobre infusão e oral, falta integrar dado de broncoscopia diagnóstica e radioterapia.
Clínica oncológica ambulatorial: opera infusão de imunoterapia e prescrição de oral dirigida. PGRSS limitado a Grupo A1+B+E ambulatorial, com contrato semanal de coleta e rastreabilidade por paciente.
Três erros recorrentes em PGRSS torácico oncológico
- Tratar comprimido oral oncológico vencido como medicamento comum. Osimertinibe, alectinibe, sotorasibe são citostáticos orais Grupo B com fluxo específico de incineração — não descarte ambulatorial padrão.
- Não rastrear resíduo de broncoscopia EBUS por paciente. Agulhas EBUS, fórceps e cassetes de citologia geram resíduo perfurocortante (Grupo E) com contaminação biológica (Grupo A1) em paciente potencialmente bacilífero (TB) ou imunossuprimido. Rastreabilidade evita contaminação cruzada.
- Confundir resíduo de reprocessamento de broncoscópio com resíduo comum. Detergente enzimático e desinfetante de alto nível geram efluente Grupo B que requer tratamento antes do lançamento, regulado pela CONAMA 430.
O horizonte 2027: ADC, CAR-T e bispecíficos
A próxima onda inclui trastuzumabe deruxtecane (T-DXd) em NSCLC HER2-mutado (DESTINY-Lung), os primeiros relatos de CAR-T anti-MUC16 e anti-DLL3 para câncer de pulmão de pequenas células e os bispecíficos amivantamabe (EGFR x MET, estudo MARIPOSA) e tarlatamabe (DLL3 x CD3, DeLLphi-301 SCLC). Cada categoria nova exige revisão do PGRSS antes do primeiro paciente.
Para aprofundar, leia o post sobre oncologia colorretal avançada e o artigo sobre oncologia próstata avançada, além do panorama geral de PGRSS oncológico. Como referência, a RDC 222/2018 da ANVISA e o estudo FLAURA publicado no NEJM são leitura obrigatória.
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